terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Bauman, o filósofo do cotidiano


Zygmunt Bauman. 

Para mim, um filósofo do cotidiano (embora sociólogo de formação). 

90 anos de idade e de grandes reflexões. 

Da Polônia para o mundo, um dos últimos grandes pensadores ainda pensando:

"Vivemos numa era de fragmentos sonoros, não de pensamentos: hóspedes calculados, como expressou George Steiner numa observação famosa, para o máximo impacto e a obsolescência instantânea. Como um jornalista francês observou com perspicácia, se Émile Zola fosse colocado hoje em dia diante das câmeras para apresentar sua posição sobre o escândalo Dreyfus, ele ganharia tempo suficiente apenas para gritar 'J'accuse!'.

A forma-padrão de comunicação inter-humana é uma mensagem por iPhone com as palavras reduzidas a consoantes, e qualquer palavra que não consiga sobreviver a essa redução é proscrita e eliminada. As comunicações mais populares, que encontram mais eco, embora, tal como um eco, reverberem apenas por um brevíssimo instante, não podem ter mais de 140 caracteres. A amplitude da atenção humana - a mais escassa das mercadorias hoje no mercado - foi reduzida ao tamanho e à duração de mensagens que tendem a ser compostas, enviadas e recebidas. A primeira vítima de uma vida apressada e da tirania do momento é a linguagem - atenuada, empobrecida, vulgarizada e esvaziada dos significados de que seria portadora, enquanto os 'intelectuais', os cavaleiros errantes das palavras significativas e de seus significados, são suas baixas colaterais."

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