sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Pequenas “blasfêmias”, grandes homenagens: a Jesus iluminado

Esse texto é uma homenagem ao aniversariante do dia, na prática, tão esquecido por toda uma sociedade que se considera cristã. E não me refiro somente ao consumismo de presentes e papais noels, mas mesmo entre os que vão à Igreja e “louvam o Senhor”, muitos o fazem somente da boca para fora, dizendo “sou de Jesus” e, ao sair do templo, já falam mal de um desafeto qualquer.

E por que um não cristão vem querer dar lição de moral a cristãos? Isso não seria papel dos padres e pastores?

Na verdade, não quero dar lição de nada a ninguém. Acho isso muito pretensioso. No máximo, despertar algumas reflexões em tom talvez blasfêmico, já pedindo antecipadamente perdão aos mais puristas e fervorosos, mas com o sincero intuito de prestar uma homenagem a esse homem extraordinário que foi Jesus de Nazaré.

Pois bem. Não sendo cristão, minha homenagem não teria como ser uma louvação ao “filho de Deus” ou ao próprio “Deus encarnado”. Mas ao homem. Sim, ao homem espetacular que esteve entre nós há cerca de 2 mil anos e deixou tantos ensinamentos de sabedoria universal aplicáveis à vida de qualquer pessoa, cristã ou não.

Ouvi hoje a parábola do filho pródigo. Que lição maravilhosa sobre perdão, reconciliação e compaixão... Quão profunda e sábia é a percepção daquele pai em relação aos 2 filhos, ao mais velho, ressentido e ao mais novo, que “estava perdido e foi reencontrado”... Que profundidade do arrependimento deste último – “pai, não mereço ser chamado teu filho”...

Lembrei de outras como a da ovelha perdida, do bom samaritano, dos dois servos... As atitudes dele diante das pessoas, sem fazer acepções, enxergando o coração de cada um, próximo das “más companhias” de coletores e prostitutas (“os sãos não precisam de mim, mas os enfermos”).  Sem puritanismos ou fundamentalismos, rechaçou episódios de ódio coletivo, como o do apedrejamento da adúltera, mostrando respeito e tolerância com cada ser humano, vendo-o como alguém sempre maior que seus erros e pecados (“Onde estão os que te condenam? Nem eu te condeno, mulher, vai e não tornas a pecar”). Rechaçou os fetichismos da Lei, como os exageros do sabatismo (“o sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado”). Até mesmo precursor da laicidade e da tolerância religiosa provavelmente o foi (“A César o que é de César, a Deus o que é de Deus”, “raras vezes vi tão grande fé em Israel”, sobre o centurião romano, acolhendo-o espiritualmente, como o fez com tantos não judeus, sem exclusivismos religiosos).

Curioso é ele também ter falado dos falsos profetas e ter antecipado coisas que até hoje ocorrem em Seu Nome (“Esse povo me louva com os lábios, mas o seu coração está distante de mim”, “Nem todo o que diz ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que faz a vontade do Pai”).

Esse homem era realmente extraordinário. Foi um ser iluminado que trouxe tanta sabedoria e bondade a bilhões de corações desde então, mesmo descontados os tantos que dizem ser “de Jesus”, “ungidos do Senhor” e não praticam nada do que ele pregou.

No budismo, alguns autores dizem que Jesus é um boddhisattva. Um ser senciente que, embora tenha plena espiritualidade para atingir a iluminação e o nirvana, adiou seu ingresso neste pela extrema compaixão pelos seus próximos. Renasce nesse mundo com a missão de ajudar os seres a evoluírem na espiritualidade. Seria equiparado ao Buda, ou como diz Thich Nhat Hanh, monge budista vietnamita, Jesus e Buda são irmãos na budeidade...

Em nossa fé budista, Jesus não é Deus. É homem como nós, porém, com tamanha evolução espiritual que se tornou iluminado, bem como iluminou e ilumina milhões com seu exemplo e palavras de grande sabedoria.

Mas você, amigo cristão, não precisa mudar sua fé. Não é sua religião, nem a minha, nem nenhuma outra que nos levará à felicidade, mas o como cada um de nós evolui espiritualmente a partir delas ou por qualquer outro caminho espiritual apto a isso. Tudo o que possa nos conduzir a uma profunda paz conosco mesmos, com a humanidade, com a natureza, com o universo e com o infinito, chamemos de Deus, Javé, Alá, inteligência infinita ou qualquer outro nome.

Parabéns, Jesus de Nazaré. Ainda que muitos não te entendam e usem teu nome para fazer o oposto do que pregastes, tua presença material na história e espiritual na vida de tantas pessoas que fazem o bem em teu nome (“o que fizeres ao menor de meus irmãos, é a mim que o fazes”) são um presente divino para a humanidade.

Parabéns também a todos que o seguem genuinamente, não dizendo “sou de Jesus”, mas agindo em seu espírito de bondade, generosidade, compaixão e amor. Que o espírito do Natal permaneça com vocês e com todos nós.

Amém!

Namastê!

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