quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vai ter Copa sim!


Sinceramente, acho uma bobagem essa estória de “não vai ter Copa”, alardeada por muitos dos críticos e insatisfeitos com o(s) governo(s). Soa, aliás, um tanto autoritário...

Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa deste ano, pessoalmente não gostei. Comungava com a ideia de que as grandes obras e investimentos necessários infelizmente corriam risco de se tornarem muito mais vultosos do que deveriam por fatores historicamente endêmicos no país, tais como corrupção, incompetência administrativa, desorganização, falta de educação e civilidade etc. etc. Lamentavelmente, muitos desses temores se concretizaram.
 

Contudo, não me peçam para torcer contra o Brasil, boicotar a Copa ou fazer protestos contra ela. Vou curti-la olhando os jogos que eu puder, vendo o Brasil jogar ao lado da família e amigos, tomando uma cervejinha gelada e explorando os outros na direção para não infringir a  dita Lei Seca. Colocarei a camisa verde e amarela e vibrarei com cada gol de nossa seleção, torcendo com bastante alegria pela turma de Felipão, Neymar e cia.  Confio no time, está bem preparado e tem grandes chances de ser campeão, independentemente dessa outra idiotice que já estão alardeando por aí de que o Brasil será campeão por que “já está tudo armado” (as velhas teorias da conspiração) para isso, como se precisássemos de expedientes desse tipo... Não vejo nenhuma seleção superior à brasileira dentre as que disputam, embora algumas são muito boas e adversários difíceis, como a atual campeã Espanha, a hoje ainda mais forte Alemanha e a sempre "de chegada" Itália. Argentina e Portugal não estão tão bem assim, mas têm superjogadores como Messi e Cristiano Ronaldo, e não podem ser subestimadas, pois em 1986, a primeira foi campeã nessas condições. A Copa tem tudo para ser muito boa em termos futebolísticos.

Tenho confiança nas grandes chances do Brasil nessa Copa. Todavia, caso o Brasil não chegue lá, minha torcida será, para espanto de muitos, pela Argentina. Não, não estou brincando. Acho engraçada toda essa rivalidade e não deixo de tirar onda de meus amigos argentinos (já fui padrinho de casamento de um), na máxima de “perder o amigo, mas não perder a piada”. Mas gosto da Argentina e de seu povo, um país com muita gente civilizada e bem educada, de alto nível cultural, e em meus recentes estudos sobre justiça de transição, constatei ser o país mais avançado na realização de seu processo transicional, um exemplo para toda a América Latina na efetiva superação dos crimes contra a humanidade cometidos durante sua ditadura e na edificação de uma cultura política humanista. Ademais, a Argentina tem Messi, jogador de quem sou fã, não apenas pelo seu futebol extraordinário, mas também pelos traços autísticos de sua personalidade, tendo sido divulgada informação de que ele chegou a ser diagnosticado com autismo leve (síndrome de Asperger) aos 8 anos de idade. Não importa que a família dele negue, ele tem de fato características do tipo, como a aversão a entrevistas, a dificuldade em se expressar e um incomum isolamento pessoal para uma celebridade de seu nível. Passou por dificuldades incomensuráveis para chegar onde chegou. Em razão disso ficaria feliz em vê-lo levantando a taça de campeão, caso o título não seja brasileiro.

Vi e vibrei muito com os títulos mundiais do Brasil em 1994 e 2002. Chorei muito em minha primeira Copa (quando comecei a me entender por gente) em 1982 ao ver aquele mágico time de Zico, Sócrates e Falcão ser vencido pela Itália de Paolo Rossi. As Copas de 1986 e 1990 foram meio insossas em termos de Brasil, mas na primeira houve a consagração do segundo maior jogador de futebol de todos os tempos, Maradona, gostemos ou não, genial (mas perde de Pelé, gostem eles ou não). Em 1998, uma decepção na final, com todas as teorias da conspiração possíveis sendo ditas, para não enxergar o óbvio: a França era melhor que o Brasil, fato demonstrado na própria campanha ao longo da Copa e no esplêndido primeiro tempo de Zidane e cia. A Copa de 2006 foi insossa, à exceção das imagens desse belo país que é a Alemanha. Na de 2010 me diverti mais, a primeira com meus filhos, e, apesar do Brasil ter sido desclassificado, gostei da Espanha como campeã, valorizando um futebol mais ofensivo, com o toque de bola e a habilidade com esta sendo mais valorizadas do que a mera retranca. O título espanhol oxigenou o chatíssimo “futebol de resultados” e hoje se vê mais seleções jogando ofensivamente e o futebol ganha em beleza e espetáculo sem perder em competitividade.
 
A partir desta quinta, estou de olho em mais uma Copa. Aos desavisados, vai ter e é no Brasil.
 
Que venha o hexa!!!

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