segunda-feira, 24 de março de 2014

Seminário 50 anos do golpe de Estado de 1964: não esquecer para não repetir

SEMINÁRIO 50 ANOS DO GOLPE DE ESTADO DE 1964:
NÃO ESQUECER PARA NÃO REPETIR
(VERDADE - MEMÓRIA - REPARAÇÃO - JUSTIÇA - REFORMAS INSTITUCIONAIS)
 
PALESTRAS TEMÁTICAS - DISCUSSÕES - CINE-DEBATES
 
14 A 16 DE ABRIL DE 2014
AUDITÓRIO TOBIAS BARRETO
PRÉDIO DA FACULDADE DE DIREITO DO RECIFE/UFPE







Há exatos 50 anos o Brasil interrompia uma frágil e tênue era democrática e entrava em um longo período de exceção que durou quase 21 anos. A partir da ruptura institucional provocada pelo golpe de Estado de 1964, ataques às liberdades públicas, censura, controle da imprensa e da estrutura política, ausência de transparência e de diálogo político, repressão violenta de dissidentes e opositores, além de crimes contra a humanidade cometidos contra estes (torturas, violência sexual, execuções extrajudiciais e desaparecimentos forçados), se tornaram corriqueiros na demorada experiência autoritária brasileira.


A Faculdade de Direito do Recife não esteve incólume a tudo isso. Estudantes e Professores “subversivos” sofreram perseguições e tiveram impedimentos quanto aos seus direitos de estudar e de exercerem o seu ofício. O brilhantismo intelectual foi por vezes substituído pela subserviência ao poder estabelecido para se alcançar benesses acadêmicas. A própria formação do jurista é condicionada por esse estado de coisas.


Em 1985, a última ditadura brasileira encontra seu ocaso. Inicia-se, ao menos formalmente, um novo experimento democrático que já dura quase 30 anos. A democracia começa a fincar raízes mais sólidas, sendo sintomático o fracasso de recentes “marchas” que pediam “intervenção militar” nas instituições públicas e na vida social, demonstrando que a sociedade já não se sensibiliza facilmente com soluções de ruptura com a ordem democrática. Mas a mentalidade autoritária ainda permeia nosso imaginário coletivo e influencia ações do poder público e da própria sociedade civil. Ainda há repressão violenta à livre manifestação do pensamento, torturas em estabelecimentos carcerários, execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, sendo ações muitas vezes aplaudidas por amplos setores da população.


O que, afinal, ainda sobrevive da ditadura militar brasileira?


Conscientes de que a democracia não é um dado, mas um processo em construção, com inúmeras possibilidades de avanços e retrocessos, docentes e discentes da quase bicentenária Faculdade de Direito do Recife promoverão nos próximos dias 14 a 16 de abril o Seminário “50 anos do golpe de Estado de 1964: não esquecer para não repetir” com a intenção de fazer neste momento da vida democrática nacional uma grande reflexão no âmbito da Faculdade, mas aberta à participação e contribuição extramuros, sobre o que foi este período autoritário e o que dele ainda persiste nas mentalidades e instituições brasileiras.


Conhecer o passado, entendê-lo e relacioná-lo com o presente é o melhor antídoto para que certos equívocos possam não se repetir no futuro. Um povo sem memória é vulnerável ao retorno de experiências negativas.


Que o presente evento possa contribuir com a memória do período e o fomento à construção de uma cultura democrática e humanista entre nós.


Aguardem a programação e mais informações a serem divulgadas nos próximos dias.


A Comissão Organizadora
 

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