sábado, 8 de março de 2014

As mulheres e meus 10 anos de Doutor


Como todos sabem, hoje é o Dia Internacional da Mulher.  É claro que corroboro com toda a exaltação que muitos estão fazendo e parabenizo a todas neste dia, esposa, mãe, tias, primas, amigas, alunas e desconhecidas. Também concordo que, se muito já foi conquistado nas últimas décadas, ainda há um longo percurso para transformamos a mentalidade machista de nossa sociedade até alcançarmos um patamar em que um dia da mulher seja somente de comemorações. Porém, em vez de ficar nesses lugares-comuns, preferi escrever um pequeno texto intimista e pessoal sobre a importância das mulheres em minha vida.

Se todos sabem que é o Dia Internacional da Mulher, apenas alguns poucos sabem que também para mim - embora eu não seja mulher - este dia é de comemoração. Há precisamente 10 anos, no dia 8 de março de 2004, eu realizei a Defesa Pública da minha Tese de Doutorado na Faculdade de Direito do Recife/UFPE. Mas não somente por isso fiquei contente. Além de ter sido aprovado com distinção (grau máximo que ainda existia nessa época na Pós-Graduação da UFPE), tive uma grande felicidade de ter nesse dia emblemático, não uma, mas DUAS mulheres como examinadoras em minha banca: a Professora  de Direito Constitucional da Universidade de São Paulo (USP), Anna Cândida Ferraz, e a Professora de Direito Internacional Público de nossa UFPE e também Desembargadora do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Margarida Cantarelli. Pode parecer pouco em uma banca que ainda foi majoritariamente masculina (contou também com João Maurício Adeodato, Gustavo Ferreira Santos e Marcelo Navarro Dantas), mas em um mundo tão predominantemente de homens como o jurídico, ter há 10 anos atrás quase metade da banca composta por mulheres de altíssima envergadura intelectual ainda era um raro privilégio. Hoje felizmente tem se tornado cada vez mais comum.

Para além desse fato, posso dizer que em minha vida inteira, as mulheres foram tão importantes que um texto é insuficiente. Ainda assim gostaria de homenagear duas delas, em nome das quais homenageio as demais extensivamente. A conclusão de meu Doutorado e tudo o que conquistei antes e depois teve a participação decisiva delas.

Uma é Hélia, minha mãe. Desde cedo, percebendo meu pendor para os estudos, sempre investiu o que tinha e o que não tinha para que eu pudesse avançar. Seja no sentido financeiro, seja emocional e amoroso, ela fez tudo o que esteve ao seu alcance, renunciando não poucas vezes a si própria e enfrentando tantas adversidades para me ver seguir o caminho que escolhi. Quando defendi minha Tese, disse a ela: “Mãe, esse Doutorado também é seu. Você também é Doutora.”

Outra é Ana Cláudia, minha companheira e esposa. Também decisiva em cada passo, a conclusão do Doutorado, a aprovação posterior em 3 concursos para Universidades Federais, a trajetória acadêmica e até mesmo os momentos em que ela renuncia a tanta coisa para que eu possa ler, escrever e refletir, principalmente assumindo tantas tarefas com os meninos, eu posso também dizer que cada vitória, grande ou pequena, também é dela. Mulher tipicamente contemporânea, parceira nos sabores e dissabores da vida a dois e da paternidade/maternidade que nos encanta e assusta, sem ela nada disso seria possível. Somente ela sabe em plenitude o quão difícil foi e é chegar até aqui.

A elas duas e a todas as outras, confesso minha absoluta dependência de vocês. Merecem tudo de bom e muito mais. Felicidade hoje e sempre.

Salve o 8 de março!

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