segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Praga: impressões de viagem

Após quase um ano, volto a escrever um relato de minha viagem do ano passado ao Velho Continente. Após Budapeste, divido com os leitores minhas impressões sobre Praga, a capital da República Tcheca.
muitos anos, ouvia pessoas falarem que Praga é uma das cidades mais espetaculares da Europa, que é linda e encantadora, que é uma espécie de “Paris antiga”, diante da preservação dos aspectos do século XIX, e muitos outros elogios. De fato, Praga faz jus a isso e foi um dos melhores passeios que já fiz.
Ficamos em um hotel no bairro de Malá Strana. Não era tão perto do centro, onde ficam as principais atrações, mas, como de regra nas capitais europeias, o transporte público em Praga é tão bom que chega-se facilmente aos pontos que se deseja visitar na cidade.
Logo no primeiro dia, partimos para a Cidade Velha, centro e coração de Praga, não sem antes nos agasalharmos bastante. Enquanto Budapeste estava oscilando entre temperaturas frias e quentes, em Praga, o frio não deu trégua em nenhum momento. Como tenho especial predileção por temperaturas mais baixas, isso não foi problema para mim. Circulamos nas agradáveis ruelas da Cidade Velha, enquanto verificava que Praga foi definitivamente descoberta pelos turistas, pois estava apinhada deles. Os prédios são realmente bem conservados e autênticos e a cidade é um deleite arquitetônico a cada rua. Passando pelo Portão da Pólvora, fui conhecer o famoso Relógio Astronômico na sede da Prefeitura (foto). Ele é bonito e original, e a cada hora cheia (10, 11, 12 e assim por diante), ele badala e passam na parte superior dele bonecos representando os Apóstolos de Cristo. A Praça fica cheia de gente para vê-los, mas a passagem dos bonecos é muito rápida e um tanto decepcionante para a fama que tem.
Aproveitamos para conhecer a Igreja de São Nicolau e tomar um bom café antes de seguir para o Bairro Judeu, passeio imperdível, pois de cara se conhece a Velha Nova Sinagoga (Staronová), que é a mais antiga da Europa, construída por volta de 1270. Também o Velho Cemitério Judaico, único lugar onde os judeus podiam ser sepultados em Praga durante vários séculos, o que ocasionou sepulturas com camadas de até 12 sepultados e lápides uma em cima da outra (o antissemitismo vem mesmo de longe), assim como a bela Sinagoga Espanhola, muito bonita e bem conservada, contando a história dos judeus tchecos.
 
Ainda na Cidade Velha, não dá para deixar de atravessar algumas vezes a multicentenária Ponte Carlos (Karlov), repleta de estátuas de santos, olhando para o Rio Vltava, no qual no dia seguinte fizemos um passeio de barco, conhecendo também os arredores de Praga, vistos do Rio.
 
Mas o melhor estaria na noite: desde Recife estava na expectativa de conhecer uma Taberna Medieval que vira numa reportagem da TV, localizada em uma ladeira da Praga antiga, Taberna esta existente desde 1375, mantendo em linhas gerais suas características da época. A U krále Brabantského (http://www.krcmabrabant.cz/krcma_en.php) é simplesmente sensacional. É um passeio que não está relacionado nos guias de turismo, nem nos circuitos de atrações, até por que o espaço é bem pequeno e precisa reservar mesa com antecedência. Todos os aspectos de uma rústica taberna daquele tempo estão preservados, desde a madeira bruta das cadeiras às refeições bastante "carregadas", passando pela “delicadeza” dos garçons que cobram a conta com um punhal nas mãos à mostra (claro que é tudo encenação e isso é explicado no menu e no site). Há um show medieval no meio das mesas e clientes com música, dança, duelo de espadas e simulação de torturas e execução, afora engolidores de fogo e faquires em cima de pregos, com os atores devidamente caracterizados. Os clientes participam de tudo e a atmosfera de época é única. Foi o mais original passeio em Praga, imperdível.
 
 
No day after, conhecemos o Castelo de Praga, que é na verdade um complexo de Castelo, Catedral (de São Vito), Basílica (de São Jorge), com o bonito espetáculo da troca da guarda e a habitual multidão de turistas para filmar e fotografar. Mas o melhor do Castelo de Praga é a vista para a cidade que é de fato privilegiada. Não dá também para deixar de conhecer o Edifício Ginger & Fred, de arquitetura bem curiosa, já que foi um dos poucos locais atingidos por bombas durante a 2ª Guerra (Praga foi talvez a cidade mais preservada do conflito) e os seus reconstrutores, aproveitando a estrutura ainda existente, fizeram uma espécie de “prédio dançante” (Dancing House, como também é chamado). À noite, com um frio quase de gradação negativa, fomos beber na Cervejaria U Fleku, que mantém suas atividades há cerca de 500 anos e cuja cerveja é considerada por muitos a melhor da Europa. Não sei se chega a tanto, mas é de fato excelente, e o ambiente muito aconchegante, apesar de lotado. Após isso, na noite fria, uma parada no Café Louvre, frequentado no passado por Albert Einstein e quase um segundo escritório do autor tcheco Franz Kafka.

No último dia, deixei para fazer os passeios temáticos. Praça Wenceslau, palco principal da Revolução de Veludo que marcou o fim do comunismo na então Tchecoslováquia (palco também de manifestações da Primavera de Praga dos anos 60, sufocada pelos tanques soviéticos), e o Museu do Comunismo, com muita coisa do período em que os tchecos estavam sob a Cortina de Ferro, com um curioso paradoxo: ele fica no primeiro andar de um prédio cujo térreo é uma loja do McDonald’s (mais capitalista impossível).

Deixei Praga com destino a Viena, já com saudades dessa encantadora cidade. Espero poder lá voltar e explorar muita coisa que não deu tempo de ver. Quem sabe...

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