sábado, 8 de junho de 2013

Acolha o outro como ele estiver


Texto extraído da Revista Bodisatva, nº 25, p. 25:

"O acolhimento começa com um olhar para o outro em seu próprio mundo. Isso significa uma compreensão bem mais profunda do que julgar se o que o outro está fazendo é certo ou errado. O que nos parece errado faz sentido dentro de outra visão de mundo. Vamos nos movendo com a certeza de que chegaremos a algum lugar, embora, no mundo condicionado que os budistas chamam de samsara, não exista a solução perfeita e duradoura sonhada por muitos de nós. Como escreve o Lama Padma Samten: “Cada um de nós está preso num tipo de bolha diferente, atuando de uma forma própria, num mundo próprio. Cada um tem uma forma de viver no mundo e se manifestar, com suas energias e seus movimentos. E por mais que cada um faça esforços dentro de seu mundo, as coisas não vão se resolver”.

O problema é que, quando focamos a necessidade de conseguir coisas boas e nos livrar do que nos parece ruim, podemos olhar uns para os outros de forma utilitária. Isso acontece até nos relacionamentos de casal, ou dentro das famílias: de alguma forma queremos usar o outro para obter uma situação mais favorável para nós mesmos. Se isso se mostrar impossível, a relação pode azedar.

Abrir mão desta forma de pensar é fundamental se quisermos verdadeiramente ajudar alguém. Por isso, é muito importante entender o outro no mundo dele. Esquecemos qualquer tipo de expectativa ou papel que queremos que o outro desempenhe em nosso jogo. Que mundo este ser habita? Esta é a pergunta que nós nos fazemos.

Um exemplo: quem olha para os filhos já querendo que no futuro eles sejam isso ou aquilo, está indo pelo caminho errado. O melhor é olhar para o mundo deles e ajuda-los nas boas iniciativas que eles tenham. Seria o caso de perguntar: “Filho, como vão o seu mundo e as coisas que você está fazendo?”. Assim, a pessoa não vai se sentir cobrada a ser de um jeito ou de outro, a cumprir esta ou aquela expectativa.”

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