sexta-feira, 17 de maio de 2013

Morre Videla, o carniceiro argentino

Soube agora que morreu hoje pela manhã Jorge Rafael Videla (na foto, à direita, ao lado do congênere chileno Augusto Pinochet), Presidente ditador da Argentina entre 1976 e 1981 e um dos principais responsáveis pelo crimes de lesa humanidade da provavelmente mais cruel e sanguinária ditadura sul-americana. Ao menos 13 mil argentinos (números oficiais, pois os das ONGs de defesa de direitos humanos chegam a 30 mil, considerando os "desaparecidos") foram assassinados, segundo o reconhecimento oficial, após bárbaras torturas, espancamentos e violência sexual, afora episódios macabramente famosos e únicos da ditadura argentina, como os sequestros de mais de 500 bebês, retirados de prisioneiras políticas, e os fatídicos "voos da morte", nos quais se jogavam prisioneiros vivos no meio do Rio da Prata.
 
Não comemoro morte de ninguém, mas algumas não dá para lamentar. Essa é uma delas.
 
Porém, o que chama mais a atenção é como os argentinos trataram e tratam seus criminosos estatais de lesa humanidade. Enquanto no Brasil, até agora tem sido difícil mesmo revelar completamente os acontecimentos e as identidades dos criminosos do período (ainda que sem punição, dada a vergonhosa decisão do STF sobre o alcance da anistia), na Argentina, Videla foi condenado pelos crimes em questão e, mesmo octagenário, cumpria pena de prisão perpétua na Prisão Militar de Marcos Paz, emblematicamente centro clandestino de detenção e tortura no período de exceção. O carniceiro portenho ainda por cima nunca demonstrara qualquer arrependimento, pois entendia que os crimes foram necessários para combater a subversão e impor a ordem.
 
Assim como na Alemanha (pós-nazismo e pós-comunismo), na África do Sul (em menor proporção, bem verdade) e no Chile, os argentinos trataram os criminosos de lesa humanidade como tais, condenando 272 deles a penas diversas (outros 911 aguardam julgamento), dentre eles dois ex-Presidentes do período à prisão perpétua, Reynaldo Bignone e o próprio Videla.
 
Enquanto isso, em terra brasilis, não querem sequer deixar as Comissões da Verdade realizarem seu trabalho a contento e nunca se puniu ninguém pelos crimes idênticos cometidos pela ditadura brasileira, cuja diferença com a argentina é basicamente numérica.
 
Refletir é preciso...

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