domingo, 28 de abril de 2013

Sabedoria milenar do outro lado do mundo

São figuras como o monge vietnamita Thich Nhat Hanh que me inspiram a adotar o budismo como filosofia de vida. Até que ponto não é cegueira e arrogância termos tantas "certezas absolutas" sobre a vida?
 
Segue abaixo uma das passagens de grande sabedoria de seu livro "A arte do poder":

“O Buda contou a história de um comerciante viúvo que partiu em uma viagem de negócios e deixou o filho pequeno em casa. Enquanto estava longe, bandidos queimaram toda a aldeia. Quando o comerciante voltou, encontrou um monte de cinzas no lugar da casa e, nas proximidades, o cadáver queimado de uma criança. O homem se jogou no chão e chorou, desesperado, por um longo tempo. Bateu no peito e arrancou o cabelo.

No dia seguinte, o comerciante mandou cremar o corpo do filho. Como o seu amado filho era a única razão de sua existência, ele costurou uma pequena bolsa de veludo onde colocou as cinzas. Aonde quer que fosse, o comerciante levava consigo o saquinho. Ele sempre o tinha ao seu lado quando comia, dormia e trabalhava. Entretanto, na verdade, o seu filho havia sido raptado pelos bandidos; três meses depois, o menino escapou e voltou para casa. Chegou à aldeia às duas horas da manhã e bateu na porta da nova casa que o pai havia construído. O pobre homem estava deitado na cama, chorando, segurando o saquinho com as cinzas e perguntou: “Quem está aí?” “Sou eu, papai, o seu filho”. O pai respondeu: “Não é possível. O meu filho morreu. Cremei o seu corpo e carrego comigo as suas cinzas. Você deve ser algum menino travesso que está tentando me enganar. Vá embora e pare de me incomodar!”. O comerciante recusou-se a abrir a porta. Como não conseguiu entrar em casa, o menino teve que ir embora e o pai perdeu o filho para sempre.

Depois de contar essa história, o Buda disse: “Se, em algum momento de sua vida, você aceitar uma ideia ou percepção como sendo a verdade absoluta, fechará a porta da sua mente. Este é o fim da busca da verdade, porque você não apenas para de procurar a verdade, mas mesmo que ela apareça em pessoa e bata à sua porta, você se recusará a abri-la. O apego às opiniões, às ideias e às percepções é o maior obstáculo à verdade.”

É como quando subimos uma escada. Ao chegarmos ao quarto degrau, podemos achar que alcançamos o topo da escada e não podemos subir mais, de modo que nos agarramos a esse degrau. Mas, na verdade, existe um quinto degrau; se quisermos alcançá-lo, teremos que estar dispostos a abandonar o quarto. As ideias e as percepções devem ser abandonadas o tempo todo para dar lugar às ideias melhores e percepções mais verdadeiras. É por esse motivo que devemos sempre perguntar a nós mesmos: “Temos certeza?””.

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