domingo, 21 de abril de 2013

Livros e filmes indispensáveis - parte VII

Mais uma lista, esta de filmes que considero que todos precisam ver antes de morrer. Não há necessidade de justificativas para ver tais obras-primas.


NÃO SE PODE MORRER SEM VÊ-LOS

- A queda (as últimas horas de Hitler).

Um filme duro e incômodo sobre o nazismo, com o olhar focado nos últimos dias e horas do seu líder maior, Adolf Hitler. É crítico, mas de uma maneira completamente diferente da esmagadora maioria. Enquanto boa parte dos filmes sobre nazismo mostram uma luta do bem absoluto contra o mal absoluto, retratando Hitler como uma simples “besta fera”, este mostra o genocida nazista como alguém assustadoramente normal e humano. É fácil imaginar que ele seria a encarnação do diabo, mas é difícil vê-lo como um de nós. Não obstante sua perversidade insana, é capaz de cativar e seduzir pessoas e convencê-las de seu ideário, sendo doce e cortês quando necessário. Um fato terrível como o Holocausto é algo mais do que a simplista luta bem x mal e é isso o que há de mais perturbador nesse grande filme alemão de 2004, dirigido por Oliver Hirschbiegel, com soberba interpretação do ator suíço Bruno Ganz como Hitler.

 - Adeus Lênin.

Diferentemente da “Queda”, esse filme, também alemão, é lúdico, singelo e divertido, embora faça eventuais concessões à melancolia. Mostra as desventuras de Alex, jovem alemão oriental de Berlin, entre os meses que antecedem à outra queda, a do Muro que dividia a cidade, o país e o mundo, e o imediato pós-queda, início dos anos 90. Ocorre que a mãe dele, uma socialista convicta e leal à República Democrática Alemã teve um ataque cardíaco dois meses antes do novembro de 1989 e acordou do coma meses depois, sem saber da queda do Muro e sem poder sentir emoções fortes, pois não resistiria a um segundo infarto. Desesperado com a situação, mas com uma aguçadíssima criatividade, o imenso amor de Alex pela mãe o faz recriar a Alemanha Oriental em seu minúsculo apartamento, contando, como diz o slogan, “a melhor mentira da história”. A parte da Coca-Cola como criação do Estado socialista é simplesmente genial. Um dos melhores filmes da década passada (2003), com carismática interpretação do protagonista por Daniel Brühl e muito bem dirigido por Wolfgang Becker.

- Decálogo (os 10 médias-metragem).
Sobre ele(s) escrevi posts específicos. Seguem os links: http://direitoecultura.blogspot.com.br/2013/01/kieslowski-e-o-decalogo-como-se-faz.html; http://direitoecultura.blogspot.com.br/2013/01/decalogo-de-kieslowski-i-v.html; http://direitoecultura.blogspot.com.br/2013/01/decalogo-de-kieslowski-vi-x.html.

 
- Doutor Jivago


 - O poderoso chefão (os 3)

A saga da Família Corleone, desde a fuga do velho Don, ainda criança no início do século XX, da Itália aos EUA, até os meandros da sucessão papal e ápice financeiro do conglomerado mafioso, no final dos anos 70, trata-se de 3 filmes magníficos que mostram muito sobre o século passado em muitas variáveis. O primeiro e o segundo filmes da trilogia são extraordinários e praticamente se equiparam em termos de qualidade. Sinceramente não consigo me decidir em relação a qual dos dois é o melhor: o primeiro, de 1972, com a antológica interpretação de Marlon Brando e a estreia de Al Pacino para o grande público, todo ambientado no apogeu e sucessão do velho Don; ou o segundo, de 1974, com duas estórias paralelas, a do Don criança e jovem, na imigração italiana e estabelecimento de seu poder inicial nos EUA, e a da continuidade da Família sob a autoridade de Michael Corleone e sua escalada implacável ao poder quase sem limites. O terceiro é também um grande filme, mas quando comparado com os anteriores, de fato, é inferior. Feito em 1990, muitos anos após os primeiros, parece ter “esfriado”, mas ainda assim é excelente, explorando as ligações mafiosas com o mundo empresarial e até mesmo com a Santa Sé. Com esses 3 imperdíveis filmes, Francis Ford Coppola escreveu definitivamente seu nome no altar dos melhores diretores de cinema de todos os tempos.

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