sábado, 13 de abril de 2013

Livros e filmes indispensáveis - parte V

Passadas as emoções da Semana Internacional do Autismo e das eleições para a Coordenação de Curso da Faculdade de Direito do Recife, na qual a comunidade acadêmica me honrou com a eleição para Vice-Coordenador, volto à tona com os livros e filmes indispensáveis, agora com os filmes que aqui classifico como "jurídicos". Tal classificação significa apenas e tão somente que nesses filmes a temática do direito ocupa atenção central no enredo da história/estória contada. Central, mas não exclusiva. Aí vai minha lista top 5.
 
JURÍDICOS
- Advogado do diabo
Apesar de ambientado no mundo jurídico, o filme possui um espectro bem mais amplo, pois o que ele aborda pode ocorrer em qualquer campo profissional. A desenfreada ganância, a vaidade exacerbada e a sede de dinheiro e poder guiam um competente advogado a caminhos éticos duvidosos e causadores de derrotas morais e pessoais insuportáveis, apesar do grande sucesso social, financeiro e profissional diante do “grande público”. Uma estória bem articulada expondo os enormes custos do sucesso a qualquer preço, custos estes que muitas vezes não aparecem para a sociedade em geral, que só enxerga o glamour e a aparência. Filme de 1997 com um elenco de primeira grandeza: Al Pacino, Keanu Reeves, Charlize Theron, dentre outros.
- Em nome do pai
Baseado na história real de Gerry Conlon, irlandês condenado por atentado terrorista cometido por outrem na Inglaterra dos anos 70, o filme tem por pano de fundo a questão nacional da Irlanda do Norte e termina por adentrar os meandros do sistema jurídico criminal britânico em um dos mais escandalosos casos da história judiciária daquele País, mostrando como a manutenção do poder e a sanha de dar "respostas" à "opinião pública" pode levar ao cometimento deliberado de graves injustiças. O magnífico Daniel Day Lewis, aqui ainda jovem, faz um Gerry Conlon convincente e intenso, e a igualmente soberba Emma Thompson interpreta Gareth Peirce, advogada exemplar no seu ofício, dessas que orgulha todo e qualquer causídico digno de sua profissão. O filme é de 1993 e dirigido por Jim Sheridan.
- Glória feita de sangue.
Sobre este grande filme de meu Diretor predileto (Stanley Kubrick), fiz um post específico e publiquei aqui mesmo no blog em 2008. Link: http://direitoecultura.blogspot.com.br/2008/06/stanley-kubrick-vi-glria-feita-de.html.
 - Julgamento em Nuremberg.
Não confundir com “O Julgamento de Nuremberg”, de 2000, estrelado por Alec Baldwin e Brian Cox. Este é de 1961, em preto e branco, e muito melhor do que o mais novo. A própria história é diferente, pois trata não do grande julgamento que envolveu os 22 principais líderes nazistas, mas de um julgamento em 1948 na Alemanha ocupada, que envolveu agentes do médio escalão nazista, incluindo um juiz, Ernst Janning, jurista respeitado antes do advento do nazismo e que circunstancialmente emprestou sua respeitabilidade à legalização de atrocidades do regime. Os dilemas da justiça de transição da época, as pressões por uma distensão, as situações paradoxais de cumprimento da lei e de ordens, contrastando com os aspectos desumanos do regime, tudo isso é abordado de forma equilibrada e sem maniqueísmos, o que torna o filme uma fonte muito rica de discussões. Dirigido por Stanley Kramer, tem no elenco estrelas como Burt Lancaster, Spencer Tracy, Marlene Dietrich e o então jovem Maximilian Schell.
- O povo contra Larry Flynt.
Acho esse filme sensacional sobre a vida do indefectível, polêmico, heterodoxo e desconstrutivo Larry Flynt, dono da Revista Hustler, a principal concorrente da Playboy. Flynt vive envolvido em contendas judiciais em razão de seus trabalhos, acionado o tempo todo por promotores moralistas e religiosos fundamentalistas, escandalizados com seus comportamentos pouco ortodoxos. É um permanente desafiador do hipócrita moralismo norte-americano e se torna involuntariamente um baluarte da liberdade de expressão. Interpretado magistralmente por Woody Harrelson, Flynt (o verdadeiro) até faz uma ponta no filme, como o primeiro juiz que o condena a uma pena de crassa desproporcionalidade. O elenco ainda tem Courtney Love e Edward Norton, nessa produção de 1996, assinada pelo grande diretor tcheco Milos Forman.

3 comentários:

Anônimo disse...

Adorei a lista de filmes professor!
Acrescentaria nela "Philadelphia" de 1993. Um advogado de sucesso, vivido por Tom Hanks se vê em meio a uma trama que visa excluí-lo da banca de advogados onde trabalha quando um de seus chefes percebe que ele é soropositivo.
Após consultar 8 advogados que se recusaram a representá-lo, o personagem vivido por Denzel Washington arrepia o Tribunal numa defesa incrível.
O filme fala sobre um dos maiores males da sociedade moderna, o preconceito, a ignorância diante do desconhecido que leva milhares a esquecer de sua condição de aprendiz nesse universo de diferenças necessárias.
Segue o link do trailer, caso interesse.. http://www.youtube.com/watch?v=cl4B9AU45P4
Um forte abraço professor.
Nadejda Maciel

Cliceli A.Kovalski disse...

Adoro advogado do diabo.
Não passa muito longe da realidade. visite-me e serão todos bem vindos. http://personalidadeinfiel.blogspot.com.br/

Bruno Galindo disse...

"Filadélfia" de fato é muito bom< Nadejda, os atores são excelentes e a estória fantástica, mas em termos cinematográficos mais gerais é inferior, em minha opinião, aos que fiz referência. Contudo, se fosse uma lista top 10, ele estaria. Abraço, querida.