domingo, 22 de abril de 2012

Paul McCartney: elegância, simpatia e talento inigualáveis de um verdadeiro Sir

Há alguns anos, nossa cidade vem recebendo grandes nomes da música internacional, estrelas de primeira grandeza em diversos estilos, de Tony Bennet a Amy Winehouse, de Jason Mraz a Iron Maiden (esse extraordinário, principalmente no primeiro show).


Mas ontem, 21 de abril de 2012, foi algo apoteótico. Simplesmente o principal integrante vivo da maior banda de música de todos os tempos esteve no Recife, Estádio do Arruda, cantando e tocando durante duas horas e quarenta e cinco minutos para uma plateia de cerca de 60 mil pessoas, em um espetáculo grandioso em todos os sentidos. Aos 70 anos de idade, Sir Paul McCartney esbanjou elegância, boa educação, simpatia e talento que fizeram de seu show provavelmente o melhor e mais emocionante que já pude presenciar e que, dificilmente, será superado por outro.


Sou beatlemaníaco desde a adolescência, mas não fui contemporâneo deles, pois nasci na década de 70 quando os Beatles já haviam se separado. Travei meus primeiros contatos com suas canções quando tinha por volta dos 13, 14 anos, já em fins da década de 80. Mas foi amor às primeiras ouvidas, já de cara lamentando profundamente o estúpido assassinato de John Lennon quase uma década antes. Nas carreiras solo fizeram, à exceção de Ringo, muitas coisas boas. Mas juntos foram realmente geniais.


Confesso que, pelas atitudes contestadoras e pela mente criativa de John Lennon, eu era mais fã dele do que de McCartney, embora sempre tenha gostado de ambos. Porém, as oportunidades que Paul McCartney aproveitou para mostrar todo o seu valor musical e pessoal me fazem hoje também ser um fã dele no mesmo patamar de John Lennon. E o show de ontem contribuiu decisivamente para isso.


Não obstante ser um sujeito que não mais precisa do dinheiro ou da fama que essa exposição no show business lhe traz, mesmo assim Paul parece um iniciante no quesito empolgação. Ele esbanja sinceridade no gosto que demonstra em estar no palco cantando e tocando para os seus fãs de 7 a 77 anos (incrível a diversidade intergeracional vista ontem no Arruda e repetida mundo afora). Não é algo meramente protocolar, como o cumprimento de uma obrigação, mas é como se para ele tudo fosse uma grande diversão, ele parece curtir cada acorde e cada frase de seu show.


Musicalmente impecável, com uma banda de primeira grandeza em talentos cujos membros já o acompanham há mais de uma década, Paul só precisaria tocar as canções que todos gostam, agradecer e ir embora, após pouco mais de uma hora de show e ainda assim todos ficariam maravilhados. Paul não precisaria fazer média nem ficar quase 3 horas no palco, ainda mais considerando que ele é um setentão e todos entenderiam se ele terminasse o show muito antes do que o fez. Mas para quem é um semideus da música, isso é muito pouco. Para um Paul McCartney, isso é realmente pouco. Fez questão de ser simpático, disse várias frases inteiras em português e até atacou de regionalista ao entrar no palco com a bandeira de Pernambuco e ainda dizer "povo arretado" (foi demais isso).


Paul alternou clássicos de sua carreira solo com canções consagradas dos Beatles. Começou com Magical Mystery Tour, Juniors Farm e All my loving, esta emocionando os românticos. Tocou The night before pela primeira vez no Brasil. Não deixou de homenagear seus companheiros Beatles quando tocou Here today para Lennon e, especialmente emocionante, Something para George Harrison. Não faltou também homenagens à sua atual companheira com My Valentine e ao grande amor de sua vida, Linda McCartney, com Maybe I´m amazed. A apoteose costumeira com Hey Jude foi de arrepiar com um coral de 60 mil vozes entoando o "nananana, hey Jude", embora a polvorosa da multidão com Live and let die não tenha sido inferior. Ainda o romatismo de Yesterday e Golden slumbers contrastando com o rock´n´roll de Back in the U.S.S.R. e o quase heavy metal de Helter skelter. Band on the run, The long and winding road, Let it be, Eleanor Rigby, A day in the life... Ufa!  E neste momento, enquanto este que escreve (que é mais de 30 anos mais novo) recupera as energias, Sir Paul se prepara para subir ao palco do Arruda mais uma vez, para mais quase 3 horas de espetáculo...


Foi indescritivelmente maravilhoso estar ali com Paul McCartney brilhando no firmamento da noite recifense. É dessas raras ocasiões que recordamos para o resto de nossas vidas e que contaremos com orgulho no futuro aos nossos filhos e netos. Eu fui, eu estive lá, e Paul McCartney também estava, era ele ali tocando e cantando tudo isso.


"And the end, the love you take is igual to the love you make". Thank you, Paul, you are imortal. 

Um comentário:

Larissa Leal disse...

Que belo artigo, amigo Bruno! Eu, que nunca fui fã dos Beatles ou de Paul - mas reconheço sua relevância musical - depois que li me arrependi...deveria ter escutado os amigos e ido ao show. Enfim, espero que tenhamos novas oportunidades. Abraços