quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Por que voto em Marina Silva - parte II


Lendo o fabuloso livro "A Arte da Vida", do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (Professor emérito das Universidades de Varsóvia e Leeds/Inglaterra e, na minha opinião, um dos maiores pensadores contemporâneos vivos), me deparei com essa magnífica reflexão que reforça ainda mais minha escolha eleitoral (embora não tenha a ver, ao menos em princípio, com a conjuntura especificamente brasileira):

"Sendo o preço de mercado por eles exigido o único denominador comum entre os variados produtos do trabalho corporal e mental humano, as estatísticas do "produto nacional bruto" destinadas a avaliar o crescimento ou declínio da disponibilidade dos produtos registram a quantidade de dinheiro que mudou de mãos no curso das transações de compra e venda. Quer os índices do PNB cumpram ou não sua tarefa pública, resta ainda saber se devem ser tratados, como tendem a ser, como indicadores do crescimento ou declínio da felicidade. Presume-se que o aumento do dispêndio de dinheiro deva coincidir com um movimento ascendente similar da felicidade daqueles que o gastam, mas isso não é imediatamente óbvio. Se, por exemplo, a busca da felicidade como tal, reconhecida como atividade absorvente, consumidora de energia, enervante e repleta de riscos, provoca maior incidência de depressão psicológica, provavelmente mais dinheiro será gasto com antidepressivos. Se, graças a um aumento do número de proprietários de automóveis, a frequência de acidentes de carros e o número de suas vítimas crescem, assim também as despesas com consertos de veículos e tratamento médico. Se a qualidade da água potável continuar se deteriorando, mais e mais dinheiro será gasto comprando-se garrafas de água mineral a serem carregadas em nossas mochilas ou malas em toda viagem, longa ou curta (vão nos pedir para esvaziar o conteúdo da garrafa ali mesmo quando chegarmos a este lado do controle de segurança do aeroporto, e precisaremos comprar outra garrafa do lado de lá). Em todos esses casos, e numa multiplicidade de situações similares, mais dinheiro troca de mãos, aumentando os números do PNB. Isso é certo. Mas bem menos óbvio é um crescimento paralelo da felicidade dos consumidores de antidepressivos, vítimas de acidentes de automóveis, portadores de garrafas de água - e, de fato, de tantas pessoas que se preocupam com a má sorte e temem que sua vez de sofrer esteja chegando. Nada disso deveria realmente ser novidade. Como Jean-Claude Michéa relembrou recentemente em seu texto, oportunamente revisto, sobre a conturbada história do "projeto moderno", ainda em 18 de março de 1968, no auge da campanha presidencial, Robert Kennedy lançou um ataque mordaz à mentira em que se baseia a avaliação da felicidade com base no PNB:

'Nosso PNB considera em seus cálculos a poluição do ar, a publicidade do fumo e as ambulâncias que rodam para coletar os feridos em nossas rodovias. Ele registra os custos dos sistemas de segurança que instalamos para proteger nossos lares e as prisões em que trancafiamos os que conseguem burlá-los. Ele leva em conta a destruição de nossas florestas de sequoias e sua substituição por uma urbanização descontrolada e caótica. Ele inclui a produção de napalm, armas nucleares e dos veículos armados usados pela polícia para reprimir a desordem urbana. Ele registra... programas de televisão que glorificam a violência para vender brinquedos a crianças. Por outro lado, o PNB não observa a saúde de nossos filhos, a qualidade de nossa educação ou a alegria de nossos jogos. Não mede a beleza de nossa poesia e a solidez de nossos matrimônios. Não se preocupa em avaliar a qualidade de nossos debates políticos e a integridade de nossos representantes. Não considera nossa coragem, sabedoria e cultura. Nada diz sobre nossa compaixão e dedicação a nosso país. Em resumo, o PNB mede tudo, menos o que faz a vida valer a pena.'

Robert Kennedy foi morto poucas semanas depois de publicar essa inflamada acusação e declarar sua intenção de restaurar a importância das coisas que fazem a vida valer a pena - de modo que jamais saberemos se ele teria tentado transformar suas palavras em realidade caso fosse eleito presidente dos Estados Unidos, muito menos se teria obtido sucesso nisso. O que sabemos, porém, é que nos 40 anos que desde então se passaram houve poucos sinais, se é que houve algum, de que sua mensagem tenha sido ouvida, compreendida, aceita e lembrada - muito menos algum movimento da parte dos representantes que elegemos para renegar e repudiar a pretensão dos mercados de bens ao papel de estrada real para uma vida significativa e feliz, nem evidências de alguma inclinação de nossa parte para remodelarmos nossas estratégias de vida."

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Por que voto em Marina Silva


No post anterior, declarei o meu voto em Marina Silva. Gostaria de justificá-lo no atual.

Marina Silva é a candidatura que entendo como mais autenticamente novidadeira no contexto atual. E uma novidade para melhor.

Sua vida é uma história de luta e sofrimento, mas ao mesmo tempo de vitórias pessoais e superação. É uma autêntica sobrevivente. Oriunda de família muito pobre do interior acreano, resistiu na infância, apesar da precariedade do sistema de saúde de onde morava, a várias doenças como leishmaniose e malária (5 vezes diagnosticada). Alfabetizada somente aos 16 anos, foi empregada doméstica em Rio Branco para se sustentar e garantir seus estudos. Estudava as lições durante as madrugadas e com isso, mesmo tardiamente alfabetizada, aos 26 anos já se formava em História, fazendo depois pós-graduação em Psicopedagogia.

Envolveu-se também, desde cedo, na luta política pela preservação da Floresta Amazônica e da qualidade de vida de seus habitantes e trabalhadores, tendo sido, juntamente com o líder seringueiro Chico Mendes, pioneira na implementação das ações da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e na fundação do PT acreano. Em uma resistência política pacifista a la Mahatma Gandhi, de desobediência civil e enfrentamento com os poderosos da região, esteve na linha de frente dessa luta em que tombaram o próprio Chico Mendes e muitos outros.

Pelo reconhecimento desta luta, o povo do Acre a elegeu vereadora, deputada e senadora. Foi Ministra do Meio Ambiente do Governo Lula durante todo o primeiro mandato e a maior parte do segundo. Enfrentou mais uma vez grupos poderosos dentro e fora do governo para fazer valer suas convicções de defesa do meio ambiente e da qualidade de vida. Saiu por vontade própria, por divergências internas com vários membros do governo, deixando, entretanto, plantadas sementes que começam gradativamente a brotar.

Marina Silva é uma líder de respeitabilidade mundial. Convicta de seus ideais, luta com veemência por eles sem, no entanto, cair em extremismos raivosos e inconsequentes, como PSTU, PCO e assemelhados. De incontestável honradez e integridade pessoal, mesmo os seus mais ferrenhos críticos não fazem qualquer questionamento ético a seu respeito. Nem por isso, contudo, Marina Silva posa de vestal da moralidade e dos bons costumes.

Demonstra lucidez e disposição para dialogar com os diferentes segmentos da sociedade. Evangélica ligada à Assembleia de Deus, não faz proselitismo de sua fé, a ponto de ser criticada por líderes religiosos sectários como o Pastor Silas Malafaia, que afirma que Marina não é suficientemente "cristã e evangélica".

Demonstra igual disposição para o diálogo com os diversos segmentos políticos brasileiros. Admite progressos nos governos FHC e Lula a ponto de afirmar que deseja em um eventual governo contar com as "boas cabeças" do PT e do PSDB.

Sua ênfase consistente no meio ambiente, na qualidade de vida e no desenvolvimento sustentável, com conhecimento de causa e distante de devaneios, também me atrai bastante. Isso é a agenda de agora e do futuro e influencia todos os demais temas sociais, da saúde à educação, da habitação ao saneamento, da poluição ao stress cotidiano das grandes metrópoles brasileiras.

Por tais razões, mesmo aprovando o Governo Lula e avaliando-o como significativamente melhor do que o Governo FHC, não votarei em sua candidata, a não ser na hipótese de um eventual segundo turno entre ela e José Serra.

Em uma eleição em 2 turnos, no primeiro é a hora de votar no melhor candidato, sendo o voto no segundo turno dado ao "menos ruim" (obviamente o melhor e o "menos ruim" podem coincidir). Por isso, independentemente de suas chances concretas de chegar ao segundo turno ou de ganhar as eleições, voto em Marina Silva por considerá-la a melhor candidata dentre as candidaturas em disputa.

Para ser bem sincero, acho improvável sua vitória eleitoral ou mesmo que ela chegue ao segundo turno, embora torça para estar errado. Mas isso não mudará meu voto e certamente terei orgulho de dizer aos meus filhos no futuro que dei um voto àquela grande líder política e ambientalista. E registro isso publicamente neste post para quem quiser ler antes ou depois das eleições.

Marina Silva Presidente do Brasil!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Em busca do escândalo perfeito


Antes que os serristas, peessedebistas, antilulistas e congêneres venham me acusar de estar fazendo campanha para a candidata petista Dilma Roussef, vou logo avisando: votarei em Marina Silva para Presidente da República. Apesar de ter gostado do Governo Lula, vejo a candidatura Dilma como uma fabricação lulista, subsistindo basicamente em razão da enorme popularidade de seu patrono político. Não que ela não possa ser uma boa governante, mas Marina Silva possui, em minha opinião, muito mais credencial para tal, tendo em sua belíssima trajetória política muito mais identificação com Lula do que a ex-Ministra da Casa Civil.

Esclarecido isto, não posso, entretanto, deixar de demonstrar profunda indignação com o lamentável comportamento da grande imprensa brasileira na atual campanha presidencial, principalmente nessa reta final. O unilateralismo e o partidarismo praticamente explícito da Rede Globo, Revista Veja, Estadão e Folha de São Paulo em prol da candidatura José Serra deixa comprometida qualquer notícia veiculada a respeito por esses meios de comunicação.

Sempre duvidei dessas teorias da conspiração das quais certos simpatizantes do PT falam, da suposta existência de um PIG (Partido da Imprensa Golpista) querendo a todo momento detonar o Governo Lula e seus colaboradores, envolvendo-os em um escândalo após outro. Contudo, os recentes acontecimentos, se não autorizam a tese, ao menos a faz bastante verossímil.

Inicialmente, lembro das entrevistas dos principais candidatos dadas ao Jornal Nacional, quando a situação ainda era de empate técnico entre Dilma e Serra na pesquisas eleitorais. Enquanto Willliam Bonner foi ríspido e contundente com Dilma Roussef e Marina Silva, chegando mesmo a ser grosseiro e mal educado em alguns momentos, foi um verdadeiro gentleman com José Serra.

Depois surgiu o Receitagate. A violação do sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, assim como de outros tucanos, é de fato algo grave em um Estado democrático de direito que tem obrigação de proteger tais dados. É óbvio que merece apuração. Porém, o destaque midiático dado ao fato como se fosse um dos maiores escândalos da história do Brasil é de uma desproporção enorme. Igualmente desproporcional é as tais acusações a filiados obscuros do PT darem ensejo ao manejo judicial da impugnação da candidatura de Dilma Roussef no Tribunal Superior Eleitoral, sem que haja qualquer prova de ligação da candidata ou de sua campanha com isso. Embora neguem, parece uma estratégia desesperada de vencer de qualquer jeito, "no tapetão", como se diz.

É curioso que Revista Veja, Rede Globo e asseclas que dedicaram tantas páginas e dezenas de minutos televisivos destacando tal violação, não divulgaram absolutamente nada acerca da reportagem publicada na edição 613 da Revista Carta Capital, que alega, segundo o jornalista Leandro Fortes (http://www.cartacapital.com.br/politica/sinais-trocados), a existência de uma gigantesca quebra de sigilo bancário, perpetrada pela empresa da mesma Verônica Serra, em sociedade com a irmã do banqueiro Daniel Dantas, a partir de acesso privilegiado a dados do Banco Central nos últimos tempos do Governo Fernando Henrique Cardoso. É claro que a acusação pode ser falsa e se sabe que a Carta Capital é uma revista de tendência governista, mas porque somente os escândalos de um dos lados da disputa merecem investigação e apuração?

Veja, Globo e congêneres parecem mesmo atuar como ostensivos partidos de oposição, lembrando nesse caso o ex-Ministro tucano Rubens Ricúpero na longíqua campanha de 1994 (quem lembra do "eu não tenho escrúpulos, o que é bom eu mostro, o que é ruim eu escondo!"?).

Como o Receitagate não funcionou para frear o crescimento da candidata governista, vasculharam as ações da ex-assessora e agora ex-Ministra Erenice Guerra até descobrirem supostas ligações escusas entre familiares da mesma e a prática de tráfico de influência. Mais uma vez são acusações graves, merecem apuração, mas é óbvio que nenhum juiz ou tribunal condenará quem quer que seja em poucas semanas. Mais uma vez, parece que o que querem os grandes conglomerados de comunicação é que o "escândalo da vez" atinja a candidatura Dilma, pouco importando se Erenice Guerra é de fato culpada: a condenação midiática já está antecipada e selada sem qualquer direito à defesa.

Ontem ouvi mais um na CBN: a NBR, tv estatal, filmou discursos do Presidente Lula em comícios, alegadamente para registrá-los em seus arquivos históricos. Pode até não ser por essa razão, mas filmar discursos do Presidente agora é um crime para abalar a república? Vão pedir o impeachment de Lula e a impugnação da candidatura Dilma por isso?

Apesar de não votar em Dilma Roussef, vejo nesses escândalos até agora apenas e tão somente a criação de grandes factoides para tentar derrubar os atuais governistas de qualquer jeito. É lamentável que um sujeito como José Serra, com uma biografia política tão respeitável, entre em um jogo tão desesperado, quase um vale-tudo para vencer a disputa presidencial. Ao contrário de Marina Silva, que certamente sairá da disputa maior do que entrou, assim como do próprio Lula, que perdeu 3 eleições consecutivas, mas jamais apelou para tais expedientes, saindo sempre maior a cada derrota, Serra arrisca-se seriamente a sair menor do que entrou, caso realmente não vença o pleito, como por ora apontam as pesquisas de intenção de voto. É uma pena.

Em tempo: já decidi meu voto para Presidente da República (Marina Silva) e um dos Senadores (Humberto Costa). Quanto aos demais, ainda estou refletindo, embora já saiba em quem não votarei.

Um réquiem para o falecido futebol pernambucano



"Aqui jaz o finado Santa Cruz Futebol Clube..."

"O Clube Náutico Capibaribe agoniza em seus últimos momentos, já tendo recebido a extrema-unção..."

Se estivéssemos nos tempos de Mozart e Pernambuco fosse a Áustria, caberia bem encomendar ao genial compositor uma missa de réquiem para o futebol local e, por conseguinte, do seu Campeonato estadual, outrora competitivo e emocionante, mas hoje reduzido a um monótono monopólio absoluto de um único clube.

Os leitores deste espaço sabem que torço para o Náutico e, portanto, meu comentário está longe da imparcialidade. Contudo, sou antes de tudo um apreciador do bom futebol e das emoções que este provoca, e admiro os campeonatos nos quais existe competitividade e sempre há dois ou mais clubes lutando com reais chances de conquista do título. Em verdade, só se pode falar em competição se presentes tais condições.

Até a década de 80 do século passado, Náutico, Santa Cruz e Sport eram considerados os 3 grandes clubes de Pernambuco. A disputa era acirrada e não raro ocorriam emocionantes surpresas. Mesmo quando o time de um deles era nitidamente mais fraco, por vezes se agigantava nos momentos decisivos e até conquistava o título. Em minha infância e adolescência eu ainda tive oportunidade de testemunhar isso.

Também a nível nacional, os 3 aprontavam contra os ditos "Grandes" do Brasil. Lembro de memoráveis vitórias deles contra Flamengo, Corínthians, Palmeiras, Vasco e outros "queridinhos" da mídia sudestina.

Agora isso é passado. A prematura desclassificação do outrora grande Santa Cruz da 4a. divisão nacional, derrotado pelo modestíssimo Guarani de Sobral, mesmo após colocar 50 mil pessoas no Estádio do Arruda, só comprova a tese de que há muito a real competitividade no futebol pernambucano é inexistente.

Em minha modesta opinião, o fator decisivo para isso foi o ingresso do Sport no famigerado "Clube dos 13" (União dos Grandes Clubes Brasileiros), entidade exclusivista e oligopolista do futebol brasileiro, no ano de 1997. Construindo uma eficiente estratégia de marketing em cima do título brasileiro de 1987, conquistado em definitivo fora de campo, nos tribunais da Justiça Comum, somente 7 anos depois, o fato é que o Sport foi muitíssimo competente em utilizar esse famoso factoide como cavalo de batalha para se impor politicamente no cenário clubístico nacional. Aliado a isso, teve seguidas boas administrações, o que fez com que conquistasse boas colocações no Brasileirão dos anos seguintes e em 1997 entrasse para o referido C13, antes tão criticado pelos próprios rubronegros.

Isso significou e continua significando um gigantesco aporte de recursos financeiros exclusivamente direcionados ao Sport em Pernambuco, o que criou uma igualmente gigantesca disparidade econômica com Náutico e Santa Cruz que, a partir daí, dificilmente conseguem montar times com reais condições de superar ou mesmo fazer frente aos constituídos pelo Clube da Ilha do Retiro.

É bem verdade que, aliado a isso, Náutico e Santa Cruz (principalmente este) tiveram talvez as piores administrações de suas histórias. Se, sendo curto o dinheiro, ainda este é administrado de forma equivocada, os clubes ficam esfacelados. Mas por si só isso não seria suficiente, até porque o Sport também passou por más administrações, embora menos frequentemente que os rivais.

Para verificar o papel do C13 nesses acontecimentos, basta observarmos os dados históricos do Campeonato Pernambucano antes e depois da entrada do Sport no C13 quanto ao número de títulos de cada clube:

1915 a 1996 (antes do C13)

Sport - 29

Santa Cruz - 23

Náutico - 18

1997 a 2010 (depois do C13)

Sport - 39

Santa Cruz - 24

Náutico - 21

Ou seja, em 14 campeonatos estaduais, o Sport conquistou 10, o Náutico, 3, e o Santa Cruz apenas 1. Como se não bastasse, ainda conquistou uma Copa do Brasil em 2008 e disputou uma Taça Libertadores da América sem fazer feio. Hoje, mesmo na Série B, desponta como um dos francos favoritos ao acesso, bem como ao título da competição. Apesar do início ruim, com R$ 7 milhões livres e de bandeja fornecidos pelo C13, rapidamente injetou dinheiro em boas contratações e resolveu o problema.

Enquanto isso, o Náutico conseguiu, a duras penas, se manter durante dois anos na 1a. divisão nacional para cair para a Série B no terceiro. Hoje, mesmo jogando na mesma divisão que o Sport, não tem direito a um único centavo do C13, não consegue se sustentar e, ao que tudo indica, se não cair para a Série C, já estará no lucro. Voltar à Série A parece um sonho impossível.

O cada vez mais paupérrimo Santa Cruz, por sua vez, vai para o terceiro ano na esquecida e melancólica Série D. Aporte financeiro, nenhum, falência completa, um verdadeiro morto-vivo. Sua imensa torcida, outrora a maior do Estado, só pode hoje curtir a si própria, pois time não mais possui.

A verdade é que o Campeonato Pernambucano se tornou um cansativo "samba de uma nota só", um enfadonho "mais do mesmo". Muitos alvirrubros temem que o único título que somente o Náutico possui no Estado, o de hexacampeão pernambucano, deixe de ser exclusividade em 2011. Eu não mais temo, pois já vejo isso como uma certeza que só aguarda uma protocolar consumação fática. Nessa seara, o Sport não somente poderá ser hexa, mas hepta, octa etc.

O fato é que nos transformamos em um Estado de um só clube. A competitividade acabou, o Sport já é campeão antes mesmo do início do campeonato.

Parece que a hoje velada intenção da CBF e do C13 de acabarem com os campeonatos estaduais está se concretizando por inanição. O esvaziamento dos mesmos por se tornarem cada vez menos interessantes e menos competitivos se consubstancia na dinheirama do C13 recebidas no Nordeste exclusivamente por Sport, Bahia e Vitória, ficando todos os demais à míngua e mendigando migalhas.

Nenhum campeonato sobrevive sem que pelo menos dois clubes lutem de fato pelo título com reais condições de conquistá-lo. A se considerar isso, o Campeonato Pernambucano morreu. O futebol pernambucano morreu, hoje só existe o futebol do Sport Clube do Recife. A ele, absolutamente tudo, aos demais, absolutamente nada, é a mais dura realidade, para deleite dos rubronegros, e tristeza de alvirrubros, tricolores e apreciadores de boas competições.

Que comece a missa fúnebre...