quarta-feira, 27 de maio de 2009

Continua o Festival Gilmar Mendes (eu tento não falar mal dele, mas ele não deixa)



O Presidente do STF não para quieto.

Vão dizer que é implicância minha, fazer o quê...

A mais nova dele é que se a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do terceiro mandato for aprovada no Congresso Nacional, ela "dificilmente será referendada ou ratificada pelo STF".

Todos os leitores do blog sabem que sou totalmente contrário à possibilidade de um terceiro mandato. O post anterior foi sobre isso e já escrevi várias vezes me pronunciando de modo muito claro a respeito.

Contudo, mesmo sendo contra, a afirmação do Min. Mendes é completamente estapafúrdia. Ministro, desde quando uma Emenda à Constituição precisa ser "ratificada" ou "referendada" pelo STF? Acaso o Supremo é a terceira Casa do Congresso Nacional? Em que dispositivo constitucional se encontra a previsão de referendo ou ratificação do STF às Emendas à Constituição? No art. 60 da Lei Maior, ao menos, não encontrei nada.

Desta vez, Mendes escancarou de vez que quer mesmo transformar o Supremo Tribunal Federal em supremo legislador da República. O Presidente do STF está levando a sério demais o papel que lhe foi dado por governistas e por parte da mídia de "líder da oposição".

Ora, Ministro, o Sr. é antes de tudo um magistrado e não um líder partidário. Pode ter posições políticas pessoais, por óbvio, mas a liturgia do cargo que exerce (tomando emprestada a expressão do Min. Marco Aurélio, seu colega de tribunal), a Presidência da mais importante corte judicial do país exige equilíbrio, ponderação e razoável grau de imparcialidade, como de resto toda atividade de magistrado.

Antecipar juízos de valor desse tipo e atuar sistematicamente no ataque a qualquer tese que beneficie o governo o torna suspeito para julgar tais questões. A sociedade espera algo diferente de um magistrado, principalmente do mais importante deles na estrutura judiciária brasileira. A meu ver, um juiz deve estar despido de pré-conceitos e posições político-partidárias prévias.

Ministro, quando eu ainda era criança, o sr. já era profundo conhecedor do direito constitucional, por isso, quem sou eu para lhe dar lições sobre isso... Contudo, apenas para esclarecimento aos leitores do blog, vou relembrar algumas lições bem elementares da disciplina que eu e o sr. lecionamos.

Somente em caso de violação de cláusulas pétreas é que pode o STF declarar a inconstitucionalidade de uma emenda. Embora exista a possibilidade de uma liminar ser concedida de antemão, em princípio, é presumidamente constitucional qualquer delas.

A prevalecer o seu raciocinio, Min. Gilmar Mendes, seria este a pá de cal em uma das referidas cláusulas, a separação de poderes (ou sistema de freios e contrapesos, a meu ver, expressão melhor). Seria, como afirmei acima, o STF assumir definitivamente um papel de 3ª Casa do Congresso Nacional, sem, contudo, ter legitimidade para isso, já que os srs. são escolhidos de modo unilateral pelo Presidente da República e referendados pelo Senado Federal que há mais de 100 anos não recusa nenhum nome indicado pelo Chefe do Executivo. Não são eleitos pelo povo, caro Ministro.

A pirotecnia hermenêutico-interpretativa que o sr. se utilizaria nesse caso, Sr. Presidente, seria algo assombroso, um verdadeiro “vale tudo” contra Lula e o 3º mandato.

Assim como o sr., sou totalmente contrário ao 3º mandato. É puro casuísmo político-eleitoral e oportunismo daqueles que hoje ocupam espaços importantes de poder no governo Lula. Um mínimo que se deve exigir em uma democracia sólida é a estabilidade das regras do jogo e essas não podem mudar a todo momento. Deve haver certa previsibilidade e possibilidade real de alternância de poder. Alterar novamente a Constituição só faz piorar a situação de instabilidade institucional na qual estamos inseridos. Nisso estamos de acordo.

Mas, apesar de minha discordância, esta é uma opinião estritamente política; do ponto de vista jurídico (e, ao menos em tese, o STF deve interpretar à luz do direito), não há qualquer óbice a uma emenda desse tipo. Politicamente acho ruim, mas juridicamente não é vedada. Ficaria extremamente curioso em ver qual a argumentação “lítero-poético-recreativa” (como o sr. disse sobre o Ministério Público Federal) que o sr. utilizaria para justificar o oposto. Haja pirotecnia discursiva!!!

Lembro mais uma vez que quem criou esse precedente de alterar as regras do jogo com o mesmo em andamento foi o Presidente Fernando Henrique Cardoso e sua base parlamentar de apoio em 1997. A Emenda da reeleição foi um total casuísmo e eu também fui contrário (embora na ocasião eu não passasse de um reles neófito, embora talvez ainda hoje o seja), assim como uma série de pessoas, inclusive juristas respeitados. Contudo, não vi nenhum deles afirmar a sua inconstitucionalidade, menos ainda o sr., à época fiel escudeiro do Presidente da República que, em gratidão pelo auxílio prestado, o indicou posteriormente ao Supremo.

Os argumentos são exatamente os mesmos nas duas situações e o engraçado é ver os mesmos histéricos parlamentares e asseclas do DEM (ex-PFL) e do PSDB, que apoiaram tão entusiasticamente a casuísta Emenda de 1997, bradarem hoje contra uma proposta de Emenda tão semelhante na essência.

É a máxima brasileira: se for para meu benefício, vale tudo; se beneficiar meus oponentes, é inconstitucional e contrária à democracia e ao interesse público.

Só resta agora o sr. querer proibir isso para o Executivo, mas aprovar emenda ao Regimento do STF para que a re-reeleição seja aprovado apenas para este tribunal.

Se for o caso, o sr. pode até adaptar a sugestão de Clóvis Rossi quanto à redação do dispositivo (já me antecipei e o fiz para lhe poupar o trabalho):

"Art. 1º - Todo presidente do Supremo Tribunal Federal tem o direito inalienável de concorrer quantas vezes quiser à reeleição.

Art. 2º - O anterior se aplica apenas quando o presidente do STF se chamar Gilmar Ferreira Mendes.

Art. 3º - Se o presidente se chamar Gilmar Ferreira Mendes, mas não quiser, em algum momento, concorrer à reeleição, serão convocados o Papa e a Organização das Nações Unidas para tentar demovê-lo de ideia tão contrária aos mais legítimos anseios da pátria.

Art. 4º - Se mesmo assim o presidente Gilmar Ferreira Mendes insistir em não concorrer, o direito à reeleição se transfere a seus descendentes diretos, nos termos do artigo 1º.

Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário".

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Tão longe, tão perto - parte II



A notícia do linfoma da Min. Dilma Roussef não foi ruim somente para ela, mas para o país. Voltaram os partidários do "vale tudo" pelo poder com a ideia de aprovar às pressas uma emenda à Constituição para que o Pres. Lula possa concorrer a um terceiro mandato. Este tem descartado a idéia (acredito até que esteja sendo sincero), mas não sei se aguentará a pressão política que virá para que se empenhe na aprovação dessa mais nova e casuística emenda dirigida à modificação das regras do jogo eleitoral com o mesmo em andamento.

O triste é que o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso abriu esse precedente em 1997 com a Emenda nº 16 que o permitiu concorrer a um novo mandato em 1998, quando a regra então vigente vedava a reeleição. Ou seja, os partidos da oposição, principalmente o PSDB e o DEM (ex-PFL) não possuem as mínimas condições morais para falar mal desse despautério proposto por parlamentares governistas. O precedente é péssimo.

Minha grande esperança é que Lula não manche a sua biografia com isso e descarte efetivamente tal ideia, consolidando-se como o grande responsável pela consolidação e estabilização das regras do jogo democrático do Brasil e que estabeleça uma decisiva e conclusiva diferença, para melhor, em relação ao seu antecessor.

Do contrário, passará à história como mais um que fez apenas o que "todo mundo faz".

Uma democracia só se consolida com uma razoável estabilidade nas regras do jogo político-eleitoral. Casuísmos como o realizado por FHC e asseclas em 1997 e o proposto agora por parlamentares governistas só podem deteriorar o nosso ainda instável sistema.

A propósito, a coluna de ontem do jornalista Clóvis Rossi está perfeita. Reproduzo-a abaixo:

"13 anos depois, ainda primitivos

Reproduzo a seguir os trechos essenciais de texto publicado neste mesmo espaço no dia 9 de outubro de 1996, quando se discutia a reeleição de Fernando Henrique Cardoso.

"Decidi (...) iniciar campanha para coletar assinaturas em emenda popular, cujo texto seria mais ou menos assim:

Artigo 1º - Todo presidente da República tem o direito inalienável de concorrer quantas vezes quiser à reeleição.

Artigo 2º - O anterior se aplica apenas quando o presidente da República se chamar Fernando Henrique Cardoso.

Artigo 3º - Se o presidente se chamar Fernando Henrique Cardoso, mas não quiser, em algum momento, concorrer à reeleição, serão convocados o papa e a Organização das Nações Unidas para tentar demovê-lo de ideia tão contrária aos mais legítimos anseios da pátria.

Artigo 4º - Se mesmo assim o presidente Fernando Henrique Cardoso insistir em não concorrer, o direito à reeleição se transfere a seus descendentes diretos, nos termos do artigo 1º.

Revogam-se as disposições em contrário".

Bom, agora você troca Fernando Henrique Cardoso por Luiz Inácio Lula da Silva e o texto fica absurdamente atual, apesar de ter sido publicado faz 13 anos e depois de quatro períodos presidenciais.

A atualidade do texto só demonstra que o Brasil continua politicamente primitivo. Uma parte relevante do mundo político só se empenha no culto à personalidade do ocupante da Presidência, seja qual for, e/ou em ocupar o poder e mantê-lo uma vez ocupado, sem apresentar, jamais, um projeto de país, mesmo que fosse ruim.

Torço, sem grandes esperanças, para que Lula diga publica e fortemente que não será candidato, ainda que passe a re-reeleição. Pelo menos ele seria menos primitivo que seus bajuladores."

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Homofobia: quando a correção política pode virar patrulhamento



Foi lançado ontem pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República um plano de promoção da cidadania para os LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis) com várias ações de combate à discriminação por orientação sexual nas áreas de saúde, educação, segurança pública e cultura, dentre outras.

Quero afirmar que, em princípio, sou totalmente favorável à promoção de cidadania para esses grupos de pessoas historicamente tão discriminadas e tratadas pelo Estado brasileiro (embora não seja algo exclusivamente tupiniquim) como cidadãos de segunda classe ou ainda pior.

É assustadora a quantidade de agressões, das lesões corporais aos homicídios, praticadas contra os LGBT em razão de sua orientação sexual. Discriminações arbitrárias nas empresas e nas escolas/universidades também são frequentes. Isso para não falar da negação de uma série de direitos que são previstos somente para os heterossexuais, embora tanto uns quanto outros tenham os mesmos deveres para com o Estado e a sociedade.

Creio ser um completo absurdo, por exemplo, não se aprovar a união civil de pessoas do mesmo sexo, já que pessoas adultas e livres têm o direito de fazer suas escolhas. Se as igrejas discordam, é só não celebrarem as referidas uniões no ambiente eclesiástico. Contudo, o Estado é laico e, portanto, deve regulamentar juridicamente situações de fato que mereçam tal regramento. Afinal, a união civil não passa de um contrato nupcial, assim como o é o casamento. É reconhecer juridicamente uma situação que de fato já existe e certamente continuará a existir, independentemente do ordenamento jurídico.

Por isso, são muito bem vindas ações de promoção da cidadania dos LGBT.

Entretanto, os excessos de correção política podem ter um efeito negativo de indevida intromissão estatal na liberdade artística e de manifestação do pensamento. No plano, há a pretensão de se estabelecer classificações em relação a programas de humor ou de auditório com conteúdo homofóbico com a previsão de criação de uma comissão "intersetorial" do Ministério da Justiça para fazer um monitoramente desses programas. Felizmente não há previsão de qualquer tipo de censura aos programas em questão, mas o risco do patrulhamento existe.

Particularmente tenho muitos temores em relação a quem classificará os programas e os rotulará como homofóbicos ou não. Claro que uma pregação religiosa ou política que conclame as pessoas a agredirem homossexuais ou a lhes negarem direitos legítimos é caso de polícia/justiça, até por que se trata de incitação ao crime. Mas o que dizer de programas humorísticos ou artísticos que brinquem com a questão da homossexualidade sem conotação de agressão? Serão classificados como homofóbicos, por exemplo, programas que utilizem expressões como "boiola" ou "veado" apenas por o terem feito? Quais seriam os limites entre a brincadeira sadia e o escracho humilhante? Quem controlaria e estabeleceria tais limites?

Dou exemplos concretos: quando o programa "Pânico na TV" exibiu uma imitação bem caricatural do falecido estilista Clodovil com trejeitos exagerados e afetações histéricas, eles foram homofóbicos? Quando a trupe da Cinderela (não a da fábula, mas o personagem do humor local pernambucano interpretado pelo ator Jeison Wallace) faz brincadeiras chamando alguns dos atores e espectadores de "bicha louca" ou perguntando se o sujeito "queima a rosca", estaria também sendo homofóbica? Lembro que muitos dos que compõem a referida trupe são assumidamente homossexuais. Seriam eles realmente homofóbicos?

Lembro sempre daquele famoso caso debatido pelo jurista belga Chaïm Perelman sobre o circo que promovia um espetáculo de arremesso de anões. Não lembro se foi o ministério público ou uma associação de defesa da cidadania de minorias que entrou com ação judicial contra tal prática em razão da mesma atentar contra a dignidade dessas pessoas de pequena estatura. Porém, os próprios anões protestaram contra a decisão proibitiva pois ela os faria desempregados e sem condições de sustentar a si próprios e às suas famílias. Ou seja, os arautos da correção política estavam, em verdade, fazendo um grande mal aos anões, embora pensassem estar defendendo sua dignidade.

Exageros tais podem levar os heterossexuais e homossexuais da trupe da Cinderela, assim como de outros programas de humor, a ficarem desempregados. É possível fazer humor "pisando em ovos" para ser politicamente correto?

Faz-se necessário entender também que as pessoas não são obrigadas a gostar de homossexuais, e isso é um direito que lhes assiste. O próprio termo "homofobia" é semanticamente equivocado, pois designa simplesmente uma repulsa por homossexuais que, por si só, não pode ser punida. Gostar ou não é algo inerente à individualidade de cada um e ninguém pode ser obrigado a tal, como não podem nos obrigar a sermos amigos dos nossos vizinhos ou gostar das pessoas que professam a religião X ou Y.

Claro que se esse "não gostar" se traduz em agressões ou incitamento às mesmas, aí a situação é completamente diversa. A possibilidade de punição se dá precisamente para esses atos violadores ou negadores de direitos em razão da orientação sexual, assim como com qualquer outro tipo de discriminação como a racial, a sexual, a étnica ou a religiosa. Não pela repulsa per si.

Respeito. É isso que querem os homossexuais. Goste-se ou não deles, deve-se conceder-lhes os mesmos direitos e cobrar-lhes os mesmos deveres existentes para os heterossexuais. Isonomia é isso. Não é tão complicado.

Todavia, tornar o combate à homofobia algo obsessivo, a ponto de se estabelecer um patrulhamento da arte e do humor, tolhe a liberdade artística e de manifestação e, desse modo, é algo com que eu não posso concordar.

Cidadania e igualdade de direitos para os LGBT, sou totalmente a favor!

Patrulhamento ideológico ou censura, velada ou aberta, sou totalmente contra!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Gripe suína em Recife


Essa está pegando hoje em Recife e, confesso, não resisti a colocá-la aqui:

"Espera-se que os cerca de 28.000 rubronegros que ontem compareceram ao jogo Sport x Palmeiras (Porco) na Ilha do Retiro tenham passado antes no Hospital São MARCOS (quase ao lado do clube) e tomado suas vacinas contra gripe, pois do contrário, Recife será a capital mundial da gripe suína".


Campeão da Libertadores?


HAHAHAHAHA

sábado, 2 de maio de 2009

Bond: talentosíssimas, maravilhosas, belas...


Talentosíssimas, maravilhosas, belíssimas...

A foto aí ao lado parece ser suficiente para tais adjetivos, não?

Pensa que elas são modelos? Uma girls' band?

Resposta negativa para a primeira pergunta. Parcialmente positiva para a segunda se entendermos que o termo em questão possa fazer referência a um talentosíssimo quarteto de cordas de instrumentos de música erudita (violino, viola e violoncelo) que extrapolou as fronteiras desta última, fazendo uma espetacular fusão de ritmos clássicos (Bach, Brahms, Vivaldi, Tchaikovski e congêneres) com batidas eletrônicas da dance music, soul, jazz, tango e até percussão africana e música latina, o que batizaram de classical crossover music.

Pois é. Você, leitor, pode ter achado que eram apenas belas mulheres (e elas são lindas mesmo) e nada mais (como se fosse pouco). Mas as garotas do Bond (não é o James 007 e sim o nome do quarteto) são muitíssimo mais do que isso, são instrumentistas de fabuloso talento e substancial originalidade musical. Entre novas versões de músicas clássicas de Bach, Vivaldi e cia. e composições próprias, as gurias receberam o reconhecimento de gente como Andre Rieu e instituições como a Orquestra Filarmônica Real do Reino Unido, que, inclusive, gravou um CD e fez concertos em Londres, acompanhando-as.

Preconceito com mulheres bonitas? Será que elas não podem ter talentos para além da bela estética?

Confesso que talvez não passasse nesse teste se as visse antes de ouvi-las. Contudo, para minha grande sorte, eu as ouvi antes de vê-las.

Eu descobri o Bond ano passado quando estava com a TV ligada, mas longe da mesma, que eu lembre, lendo um livro ou o jornal. Foi quando ouvi um som diferente, que me chamou a atenção e me agradou sobremaneira. Meus ouvidos se deliciaram com aquela mistura de cordas clássicas e batidas contemporâneas e aí veio a curiosidade de olhar a TV para ver quem estava tocando tão bem. Quando as vi, então, fiquei extasiado, quase não acreditei que, além de encantar meus tímpanos, as musicistas do Bond ainda esbanjavam beleza e sensualidade, colírio para meus olhos.

Com as facilidades da net, fui atrás de músicas e mais informações. E aí fiz algumas descobertas: Tania Davis (primeira da esquerda para a direita) é violista, australiana de Sydney, com bacharelado em música pelo Consevatório de sua cidade natal e pós-graduada em música pela London's Guildhall School of Music and Drama, tendo tocado com a Orquestra de Câmara Australiana e as Orquestras Sinfônicas de Sydney e de Londres; Haylie Ecker (segunda, mesmo sentido) é violinista, também australiana, só que de Perth, com pós-graduação em música pela mesma Escola de Tania, com estudos avançados em execução musical solista, tendo dado vários concertos solo por vários países antes de integrar o Bond; Eos Chater (terceira, igual sentido) é também violinista, natural de Cardiff, País de Gales, com formação musical pelo Royal College of Music, de Londres, tendo trabalhado como compositora de várias peças de violino e cordas para bandas e artistas de pop rock, como Divine Comedy, Cocteau Twins e Mark Knopfler (ex-Dire Straits); Gay-Yee Westerhoff (a última e única morena da banda) é violoncelista, inglesa de Yorkshire, com formação musical pelo Trinity College of Music, de Londres, tendo tocado, antes de integrar o Bond, com Sting, Barry Manilow, Brian Adams e Spice Girls (cf. mais detalhes em http://www.bondmusic.net/).

Achou pouco? Pois o Bond já possui 5 CDs e um DVD oficiais lançados e é considerado por muitos como o mais criativo quarteto de cordas da atualidade. Se duvida, dê uma olhada na performance das garotas nos vídeos abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=OMdW1o8H9cc

http://www.youtube.com/watch?v=16P73a_-Tx8

http://www.youtube.com/watch?v=ul-WUgNSZ5k

http://www.youtube.com/watch?v=l6CEsZ8FktI

É de tirar o fôlego.

É, meus caros, quem pensou que talento e beleza não podem estar juntos em uma mulher (nesse caso, em quatro) vai ter que repensar seus conceitos depois de assisti-las.

BRAVO!!! BRAVÍSSIMO!!! WONDERFUL!!!

Quem comeu o coronel?

Essa é muito engraçada e ainda merece uma reflexão jurídico-constitucional sobre as possibilidades e os limites das liberdades públicas de expressão e manifestação.

"DONO DE LANCHONETE É PRESO POR BATIZAR SANDUICHES COM PATENTES MILITARES

Para o dono de uma lanchonete de Penedo, a 170 km de Maceió (AL) tratava-se de uma estratégia de marketing. Para o comandante da Polícia Militar na cidade, era uma ofensa à Corporação.

E assim, por batizar os sanduíches da casa com patentes militares, Alberto Lira, 38 de idade, dono da lanchonete Mister Burg, acabou detido por ordem do comandante da PM local.

Afinal, entendeu o militar, não ficaria bem alguém chegar na lanchonete e pedir: "quero um coronel mal passado". Ou sair de lá dizendo: "acabei de comer um sargento".

Na delegacia foi lavrado boletim de ocorrência e, face ao tumulto havido, a casa comercial fechou durante algumas horas.

Como o delegado de plantão entendeu que não havia motivo para prisão, Lira foi liberado horas mais tarde. Os cardápios da lanchonete foram recolhidos para avaliação e a casa reaberta em seguida.

Aproveitando-se da inesperada repercussão, a lanchonete quer manter o cardápio que desagrada a PM.

A casa oferece lanches como o "coronel" (que é o filé com presunto), o"comandante" (um prato com calabresa frita) e por aí vai.

A brincadeira foi demais para o parco humor dos militares, que dizem queos nomes dos pratos provocavam chacotas e insinuações contra os policiais entre os moradores da cidade de 60 mil habitantes.

Lira, o dono da lanchonete, diz que não teve nem tem nenhuma intenção de brincar ou ofender a Corporação. O cardápio - garante o dono da lanchonete - pretendia ser uma homenagem à hierarquia militar. O prato mais caro era o "comandante".

O comerciante contratou ontem (15) o advogado Francisco Guerra para entrar com uma denúncia por abuso de autoridade contra o comandante local da PM e uma ação reparatória por dano moral contra o Estado de Alagoas. Nela vai salientar que não existe nenhum texto legal que impeça um restaurante de incluir, no seu cardápio, "lula à milanesa", "filé a cavalo" ou "coronel mal passado", etc.

O advogado já pediu habeas corpus preventivo para evitar outra detenção de seu cliente. A peça sustenta que "se o argumento do comandante fosse válido, nenhuma festa de criança poderia ter brigadeiro".

Como se sabe, brigadeiro - além de ser a mais alta patente da Aeronáutica - é também o nome do docinho obrigatório em aniversário de crianças.

"Em Penedo, comer brigadeiro, pode! Comer coronel, não pode!" - ironizam os advogados da cidade." (publicada em http://mais.uol.com.br/view/e8h4xmy8lnu8/quem-comeu-o-coronel--04023462D4B10346?types=A&).

Caramba! Que mau humor desse pessoal da PM de Penedo....

Como evitar a gripe suína



E estão colocando toda a culpa nos pobres porcos.

Uma curiosidade: na Argentina, estão chamando a gripe suína de gripe "porcina".

Diante disso, o sempre bem humorado Macaco Simão fez suas jocosas sugestões para evitar a gripe em questão. Segundo ele, devemos evitar:

- Miriam LEITÃO;

- Regina Duarte (a viúva Porcina, da novela Roque Santeiro - faz tempo!!!);

- palmeirenses (afinal, o mascote do Palmeiras é o porco - mais um fator de preocupação para os jogadores do Sport para os próximos confrontos pela Libertadores).

Quando o politicamente incorreto pode ser necessário


Embora eu discorde de pelo menos 70% do que ele diz, gosto de ler a coluna semanal de Luiz Felipe Pondé, na Folha de SP. Ácido e mordaz, o filósofo colunista é crítico ferrenho dos exageros das visões politicamente corretas e com isso, bate de frente com muita gente da dita esquerda ideológica e, algumas vezes, também da direita.

Apesar de ser um sujeito mais ligado ao pensamento político de esquerda, sou profundamente avesso ao sectarismo (de esquerda ou de direita). O diálogo é sempre necessário e por isso gosto de ler e ouvir aqueles que pensam diferente de mim, embora, para que isso seja possível, tomo para mim a máxima do filósofo anglo-austríaco Karl Popper quando afirma que "o racionalismo é uma atitude de disposição a ouvir argumentos críticos e a aprender da experiência. É fundamentalmente uma atitude de admitir que eu posso estar errado e vós podeis estar certos, e, por um esforço conjunto, poderemos aproximar-nos da verdade" (K. Popper: A Sociedade Aberta e Seus Inimigos - vol. II).

Diante disso, ao invés de ler aquelas críticas toscas e mal intencionadas da Revista Veja e o consequente festival de bobagens preconceituosas de Diogo Mainardi e asseclas, prefiro algo mais consistente, e nesse particular, acredito que Pondé merece ser lido. Seus textos ensejam reflexão crítica.

Segue abaixo escrito do autor, publicado na última segunda, intitulado "Debaixo dos cobertores":

"Se você for convidar uma colega de trabalho para sair, melhor pedir a seu advogado para ligar para o advogado dela, pois "desejo é poder". Nos EUA, órgãos especializados em assédio sexual em universidades são tão comuns quanto baratas em casas sujas.

Políticas públicas podem causar efeitos colaterais nefastos. E as coisas só pioram com a epidemia de políticas públicas, marca de uma democracia cada vez mais maníaca por regular a respiração de seus súditos. Há uma relação invisível entre os mecanismos modernos de controle e a paranoia. Paranoicos detestam a liberdade porque ela é incontrolável e promíscua.

Desde o utilitarista Jeremy Bentham (século 18) e seu panóptico (máquina para vigiar prisioneiros), os governos sonham com o controle "benéfico" do comportamento moral da coisa pública (res publica) via mecanismos de vigilância contínua.

Dizia o sociólogo Robert Nisbet (século 20): é uma ilusão supor uma vocação evidente da república para a liberdade. Quanto mais moral ela for, mais totalitária ela será. Ainda Nisbet: os especialistas, com suas visões sectárias e pouco isentas, são agentes de destruição da liberdade quando se fazem oráculos. Nas ciências humanas, temperamentos e ressentimentos determinam a escolha de objetos e teorias.

Respiramos a "politização do amor". Grande parte dos oráculos das políticas do amor é gay ou feminista. Os gays têm pouco interesse (por razões óbvias) nos efeitos colaterais de sua "ciência" do amor sobre o cotidiano miúdo dos homens que amam mulheres. Quanto as feministas, quando não são também homossexuais, se mostram, muitas vezes, rancorosas e repetitivas: do que trata "Hamlet"? Opressão da mulher. E a Bíblia? Idem. E adivinhe qual a questão no Pato Donald?

O argumento (feministas são rancorosas), nada científico, é usado pelas próprias mulheres cansadas das feministas neandertais que ignoram as agonias das mulheres já livres.

Já nos anos 70, feministas como as do grupo de Taipe afirmavam que apenas lésbicas seriam de fato mulheres emancipadas, porque as heterossexuais seriam oprimidas pelo desejo que sentem pelo macho.

Para elas, o amor heterossexual flertaria com o "inimigo". Eu, ao contrário, penso que este tema deveria ser tratado justamente por quem "ama o inimigo".

O impacto no cotidiano deste "antiamor" se dá via arte, leis, educação, enfim, os oráculos de Nisbet.

O resumo da ópera é o seguinte: a mulher ganhou dinheiro e com isso deu um pé no mau marido, que existem aos montes porque a regra geral é a insatisfação. As feministas acertam quando dizem que o homem teme a mulher (não por conta dessa bobagem de "inveja do útero", ele tem mais é "medo da dor do útero"), mas sim pelo medo do fracasso sexual diante dela. As neandertais tratam dessa ferida com ácido.

Mas a vida real vem à tona, quando sai de cena a militância e entra em cena a cama onde cresce a solidão das mulheres livres.

Não se trata de dizer que as mulheres "devam voltar para o tanque" -isso é idiota-, mas sim que as feministas neandertais só atrapalham quando levam a política para debaixo dos cobertores. Fiquem nas delegacias e sindicatos, lugares onde a vida é pobre e bruta.

Dizem as mulheres: queremos homens sensíveis, mas nem tanto, queremos ter sucesso profissional, mas jamais sustentar homens sem sucesso profissional (dividir contas sempre já seria sinal suficiente de pouco sucesso por parte do parceiro), queremos ser livres, mas não homens bananas.

Mulheres não suportam homens tristes. Seria, afinal, o sucesso profissional dos machos um critério definitivo do desejo das fêmeas por eles? Quando o homem deve começar a dizer "não" a suas mulheres livres?

A noite vazia é o paraíso dos homens e mulheres livres. Nela, eles respiram a banalidade das conquistas repetidas. Uma infinidade de seduções insignificantes.

O acúmulo das experiências múltiplas gera uma consciência afetiva cínica. Assola-me o sentimento profético de que quanto mais experimento, menos sou capaz de experimentar. Na juventude a solidão é opção, com o tempo não passa de falta de opção. Ao mesmo tempo em que as rugas nascem o corpo cansa e a alma desespera.

As políticas do amor são um dos modos mais sofisticados de barbárie "científica". Haveria uma relação invisível, como um fantasma obsessivo, entre ódio e políticas do amor?"