quarta-feira, 8 de julho de 2009

O tesouro que é ter um amigo de verdade



É bem conhecido esse poema de Vinícius de Moraes, mas sempre me vem à memória quando lembro dos grandes amigos que tenho.

São bem poucos, é verdade, aqueles a quem posso realmente chamar de amigos, mas estes me são indispensáveis, bem no espírito do que diz o maior dos poetas brasileiros. A eles dedico esse post:

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber - que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os."

(Vinicius de Moraes: Amigos)

Vinícius, velho, saravá!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

"não preciso nem dizer,
tudo isso que eu lhe digo,
mas é muito bom saber
que você é meu amigo"

Meu irmão, além do laço sanguíneo, posso afirmar que tenho um amigo
verdadeiro e assim como Vinícius
menciona no final deste poema: "A gente não faz amigos, reconhece-os." Eu também o reconheço.

Grande Abraço do seu irmão e amigo
Romeu