sábado, 4 de abril de 2009

Maravilhoso Iron Maiden: o melhor show da minha vida

Na última terça-feira, realizei um dos grandes sonhos de minha adolescência: participei da grande e apoteótica festa que foi o show da banda inglesa Iron Maiden, em Recife.

Para mim não foi surpreendente: o show foi previsivelmente espetacular, como são todos os shows dessa que é considerada a maior banda de heavy metal de todos os tempos. Por isso, ser extraordinário é algo comum para o sexteto inglês.

Além do virtuosismo musical dos membros da banda (todos, sem exceção, são exímios músicos), o show é um espetáculo visual incomum: as mudanças de cenários praticamente a cada canção, colocando-se no contexto da mesma; as luzes e fogaréus exatamente nos momentos apoteóticos; o figurino de Bruce Dickinson, ora mascarado como em Powerslave, ora com uniforme militar britânico, como em The Trooper; os enormes telões de altíssima definição (última tecnologia mesmo) e até mesmo um boneco-robô do Eddie, a caveira-mascote da banda, lembrando a capa do álbum Somewhere in Time, de 1986. Tudo contribuindo para que, além da boa música, os presentes pudessem se deslumbrar visualmente.

Como foi a única apresentação no Nordeste, veio gente da região inteira. Pesquisas indicaram que, dentre as 25 mil pessoas presentes no Jockey Club, cerca de 54% foram não pernambucanos. De fato, vi muitos cearenses, baianos, piauienses, paraibanos, potiguares e até paraenses. Isso em uma terça sem feriado na quarta (imaginem se fosse em uma sexta ou sábado).

O público se acomodou bem, o espaço realmente foi muito bem preparado, a organização do mesmo foi impecável. De público dou os parabéns à Raio Lazer pela organização do evento. Ponto negativo apenas para a saída, um tanto tumultuada. Todavia, nem tudo é perfeito.

Lauren Harris abriu o espetáculo com um curto show de meia hora. A filha do baixista Steve Harris até que não foi mal, sua banda toca um hard rock razoável, mas a galera queria mesmo ver e ouvir os gigantes do Iron. Foi quando pouco depois das 21h, as luzes se apagaram e o som de aviões começou a ecoar. Nos telões aparece imagens da 2ª Guerra e o famoso discurso de Churchill sobre o "sangue, suor e lágrimas". Após o "we will never surrender", os primeiros acordes de Aces High para enlouquecer o público: logo apareceram o baixista Steve Harris, os guitarristas Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers, o baterista Nicko McBrain e, é claro, ele, Bruce Dickinson, o vocalista que se tornou a "voz do Iron".

Os ingleses seguiram o set list básico que apresentaram em outros shows. Após Aces High, tocaram Wrathchild, Two Minutes to Midnight, Children of the Damned e Phantom of the Opera (esta do primeiro álbum, uma verdadeira aula de guitarras). Em seguida, The Trooper e a mudança de cenário e figurinos já comentada. Wasted Years foi a seguinte e logo depois uma que eu achava que eles não tocariam, pois possui quase 14 minutos de duração: mas os caras não deixaram de fora Rime of the Ancient Mariner, grande canção do álbum Powerslave. A canção título deste veio logo após, com Bruce usando uma máscara egípcia. Logo a seguir uma sequência de arrepiar: Run to the Hills, cantada aos berros pelo público; Fear of the Dark, a única dos anos 90, com direito a coro generalizado e tudo o mais (nessa senti, literalmente, o chão tremer); Hallowed Be Thy Name, com os levantes provocados por Bruce com seu chamado tradicional - screams for me, Recife!; e para, aparentemente encerrar, a canção de mesmo nome da banda - Iron Maiden -, com direito à entrada do boneco-robô Eddie, de 3m de altura.

Eles agradeceram e saíram, mas é claro que teria o bis. Faltava tocarem The Number of the Beast, um clássico que muitos pensam ser uma música satânica, mas que não faz qualquer apologia ao diabo, embora o tenha como tema (há muitos que também pensam o mesmo de Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones).

Para realmente encerrar a deslumbrante noite, The Evil That Men Do e Sanctuary. E promessas de retorno em 2011, lançando novo álbum. Como a turnê é intitulada Somewhere Back in Time, eles praticamente só tocaram clássicos dos anos 80 do século passado, os anos do auge da banda. Só incluíram uma canção dos anos 90 (Fear of the Dark).

O comportamento do público alternou entre o êxtase completo em alguns momentos e a letargia em outros, quando parecia se deslumbrar com o virtuosismo de Harris, Dickinson e cia. Vibração e respeito ao mesmo tempo pela história e trajetória dessa megabanda.

Se eu já tinha me maravilhado com os shows do Scorpions (principalmente o de 2007), realizei na terça outro sonho de adolescente, apesar de meus 35 anos. Não resta dúvida de que foi o maior espetáculo musical ocorrido por essas plagas. Se um dia pensei em viajar para ver Scorpions, Iron Maiden e U2 (sempre achei impensável quaisquer dessas bandas virem por aqui), quanto aos dois primeiros, não precisei fazê-lo. Quem sabe eu complete a tríade...

Que volte o Iron em 2011. E que venha o U2 (sabe-se lá quando).

Um comentário:

Catarina Oliveira disse...

Bruninho...você sentiu o chão tremer na diversão enquanto eu, quilômetros distante, fugia pelas escadas de meu prédio que balançava, pensando em salvar meu computador e a bolsinha com as contas a pagar (Manu já estava chorando na rua com os outros moradores). Informação dos bombeiros: foi o show do Iron Maiden. Da próxima vez, iremos para o show com você, pra evitar esses sustos...beijo grande.