segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Scorpions: eu fui de novo - show nota 10, organização nota 0

Como antecipara em um dos posts anteriores, fui ontem ao show do Scorpions no Chevrolet Hall, tal como fiz no ano passado. Passei bons e maus momentos, mas no final valeu a pena.

A ENTRADA, UM MARTÍRIO

É incrível como algumas coisas evoluem, outras involuem.

Em um show como este, é até certo ponto, normal haver uma multidão formando fila, mas o que se viu ontem em relação aos que foram ao Chevrolet Hall foi um tremendo desrespeito. Ora, pagou-se no mínimo R$ 60,00 por um ingresso (meia entrada), não que não valesse, mas merecíamos uma organização no mínimo mais profissional para um evento desse porte.

No ano passado, havia grande fila, mas os portões não demoraram a abrir e a mesma andou rápido não causando maiores aborrecimentos.

Este ano, não obstante ser um domingo e já não ser tão novidadeira a apresentação dos Scorpions em Recife, o público foi maior ainda. Contudo, os organizadores do evento, embora tivessem prometido abrir os portões às 19 h, só o fizeram às 20:45, o que causou um tumulto enorme na fila, fazendo, afinal, com que pessoas que estavam há 3 ou 4 horas esperando, perdessem a paciência e entrassem quase à força. Por sorte, todos estavam com o espírito de rock´n´roll pacífico, pois por pouco não vi acontecer uma confusão generalizada com brigas e conseqüências muito sérias.

Detalhe: não havia seguranças ou funcionários do Chevrolet Hall organizando a fila ou fornecendo informações, salvo à beira dos portões. A revista das pessoas na entrada, até pelo tumulto causado pelo injustificável atraso, foi superficial e descriteriosa: em mim, só olharam a cintura, de modo que se eu tivesse levado uma arma no bolso ou junto à meia, teria passado facilmente. Poderíamos ter tido sérios problemas de segurança, mas felizmente não aconteceu.

Se no ano passado parabenizei o Chevrolet Hall pelo evento, infelizmente em relação a ontem só tenho críticas. Péssima organização. Nota zero.

O SHOW - A COMPENSAÇÃO

Já esperava um grande show, os Scorpions são muito bons de palco, mas o que vi ontem mostra que mesmo o que é bom sempre pode ser melhorado. Mais uma vez, essas lendas vivas do rock não decepcionaram, muito pelo contrário.

Com uma proposta inovadora de misturar em um mesmo espetáculo as guitarras elétricas pesadas e o som acústico mais suave, a apreentação dos alemães foi impecável. Gravando um DVD em nossa capital pernambucana, eles alternaram as canções hard rock mais agitadas com as apreciadas baladas love metal. Prestigiaram os músicos brasileiros na parte acústica com o pianista, os percussionistas e as backing vocals, todos compatriotas. Como se não bastasse, subiu ao palco o guitarrista brasileiro Andreas Kisser, do Sepultura, para tocar Coast to Coast (instrumental) e uma série de outras canções. Klaus Meine, como sempre simpático e eletrizante, não obstante seus 60 anos de idade, falou frases básicas em português saudando o público, levantou a bandeira do Brasil e cantou com uma energia de um adolescente (a garganta do homem parece mais em forma que nunca). Rudolf Schenker e Mathias Jabs nas guitarras e Pawel Maciwoda no baixo, igualmente soberbos. E o norte-americano do grupo, o baterista James Kottak, um show à parte, inclusive com solo de bateria agitando a multidão.

Em relação às canções, destaque para a excelente The Zoo, Coast to Coast, Rhythm of Love, as sempre muito agitadas Big City Nights e Rock You Like a Hurricane. Entre as baladas, Always Somewhere e Still Loving You. Outros destaques: Dust in the Wind (não é deles, mas a versão acústica é perfeita), Wind of Change (nesta teve até triângulo nordestino na percussão) e Humanity, linda canção do novo CD de mesmo título. Durante a execução desta última, foi exibido no telão clip contra a devastação amazônica e do meio ambiente, temática da letra da mesma.

Duas horas e dez minutos de show e vinte e duas músicas magistralmente executadas (quem quiser conferir uma amostra, acesse: http://jc.uol.com.br/2008/09/08/not_179281.php). Compensou a espera e a desorganização que, diga-se de passagem, não é culpa da banda.

Uma coisa eu não entendi: no ano passado, o Chevrolet Hall estava bem menos cheio e o público divulgado foi em torno de 15 mil pessoas. Ontem, as dependências da casa de eventos estava completamene lotada, a dificuldade para circular e comprar cerveja e água era muito maior e o público divulgado foi de 10 mil. Estranho, muito estranho...

O que sei é que o público efetivo deste ano foi muito maior do que o do ano passado. Disso eu tenho certeza.

Agora é esperar o lançamento do DVD. Não vejo a hora de comprá-lo.

E como estava tatuado em Kottak: ROCK´N´ROLL FOREVER!

Um comentário:

trocologoexisto disse...

Que legal! De professor pra professor, de amante das artes, culturas, ciências (e tudo de bom que a humanidade consegue quase que milagrosamente fazer!)pra idem!, de herdeiro dos portuga pra idem (foi procurando a letra do fado Tropical" que achei o blog), meus cumprimentos.
Glaucia
(Só invejo estares em João Pessoa e eu aqui em Poa!!!!)
glaucia@unisinos.br