sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Lula e a lei: por qué no te callas?


Mais uma enorme oportunidade perdida de ficar calado. Concordo em gênero, número e grau com o texto de meu colega e amigo Pierre Lucena, publicado no blog Acerto de Contas, o qual transcrevo aqui:

"FALTA DE BOM SENSO E DE EDUCAÇÃO - LULA PRECISA ENTENDER QUE NÃO ESTÁ ACIMA DA LEI

Lula pode estar fazendo um excelente Governo, pode estar com a popularidade em alta, pode muita coisa. Mas não pode tripudiar as leis e o bom-senso.

Esta semana o presidente resolveu fazer um papelão, ao dizer que na sala dele quem manda é ele, e que não precisa cumprir a legislação antitabagista.

Defendeu que os fumantes pudessem tragar tranquilamente em qualquer lugar, já que são viciados. Depois disse que a sala é dele, e lá ele fuma na hora que quiser.

A despeito de ser um grande presidente, só falou bobagens.

Primeiro, está defendendo que todo viciado faça o que quer em qualquer lugar. Imagine se todos os drogados resolvessem “tomar pico” nos bares, ou ainda se os tarados transassem no meio da rua.

E por fim, a sala não é dele, é um espaço público, onde funcionários trabalham, e não são obrigados a suportar a falta de educação do chefe.

Hoje as entidades antitabagistas estão em pé de guerra com o Presidente, com total razão. No mundo todo o incentivo ao fumo está sendo cercado, e declarações como essa de um presidente popular é um péssimo exemplo.

No mínimo deveria saber que não está acima da Lei."

2 comentários:

Anônimo disse...

Esse é mais um exemplo de como é confusa a relação entre espaço público e privado em terrae brasilis, mas que toma grande repercussão quando praticado pelo comandante da nação.
Creio, no entanto, que, como em outros casos, o fato tenha servido de pano pra manga por parte da grande imprensa que aproveita os deslizes do Presidente para achincalhá-lo de ignorante ou outros adjetivos que o valha. Difícil é achar nas rodas do poder ou mesmo na academia quem nunca utilizou-se de certa dose de autoritarismo ou de "boas" relações pra fazer prevalecer alguma vaidade ou gosto pessoal.

Anônimo disse...

A comparação não procede.

o cigarro tem produção e comercialização lícitas. A heroína (acho que foi isso que o autor quis dizer ao fazer referência a "pico"), não.

Portanto, se é algo que se pode comprar, é algo que se pode consumir.

Tanto é assim que a lei vigente não proíbe o consumo, exceto em lugares públicos. E mesmo nestes, fora das áreas reservadas (os tais "fumódromos").

Outra coisa: a sala do Presidente é um espaço público? Discutível. O prédio é público, sem dúvidas, mas a sala? Parece-me ser de uso privativo (e não há que se espantar com o uso privativo em prédios públicos. Na verdade, salvo os bens destinados ao uso comum, em maior ou menor medida são todos assim...)

Sei lá, não acho a coisa tão simples assim quanto o texto faz parecer...