quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A Vida é Aprendizagem - O Mi To Fo

Nos últimos meses, tenho aprendido muita coisa com este homem. Ele nem me conhece, mas tem me ensinado muito com seus livros.

Trata-se do Venerável Mestre Hsing Yün, fundador da Ordem Budista Fo Guang Shan (traduzido por "Montanha da Luz do Buda"), originária de Taiwan e propagadora da idéia de um budismo humanista.

Ao ter contato com a prática da meditação zen (ch´an em chinês) praticada em um templo dessa Ordem em Olinda, tive curiosidade acerca dos ensinamentos dessa religião que está mais próxima de uma filosofia de vida do que de uma religião propriamente dita, ao menos tal como nós concebemos as religiões no ocidente.

O que eu tenho visto como mais interessante nos ensinamentos do budismo em geral e particularmente nos do Mestre Hsing Yün é a ênfase na importância da prática dos preceitos. Eles não fazem proselitismo religioso, nem ficam exortando ninguém a se "converter" ao budismo. Não há entre eles uma "militância religiosa", como é freqüente no catolicismo, no protestantismo e no islamismo. Simplesmente pretendem ajudar uns aos outros a alcançarem a iluminação com a idéia de um nirvana, que seria um estado de consciência suprema de perfeita felicidade e libertação e superação de todo sofrimento. Claro que há muita nebulosidade no caminho, principalmente se tentarmos captar o dharma (conjunto de ensinamentos do Buda) apenas analiticamente. Para o referido Mestre, é impossível tal empreitada: a experiência precisa ser pessoal e espiritualmente intuída, vivida, embora os bons mestres (pessoas e leituras) sejam importantes ferramentas nessa compreensão.

Enfim, tenho vivenciado coisas muito boas nesse aprendizado com os budistas da Fo Guang Shan.

Eis abaixo uma das lições do Mestre Yün, extraída do seu livro "Budismo: Significados Profundos" (Ed. de Cultura), especialmente cara a mim como Professor:

"APÓIE-SE NO DHARMA, NÃO NAS PESSOAS

O máximo que as pessoas podem fazer é interpretar o Dharma, o que não passa de uma ferramenta auxiliar para o aprendizado. É impossível alguém transmitir o Dharma a outra pessoa. Quem não vivencia as verdades do Dharma nem as aplica à própria vida não aprende o Dharma, apenas se informa a respeito dele. As verdades mais elevadas exigem, em última instância, ser vivenciadas. Por milhares de anos, os mestres e praticantes budistas estudaram as verdades ensinadas pelo Buda até conseguirem ter sua experiência direta.

Quem tenta tomar emprestada a experiência alheia ou permite que as sensações alheias substituam as suas próprias não aprende rapidamente. A sabedoria é algo que não pode ser memorizado. O Dharma não deve ser imitado. Sempre que aprendemos algo com alguém, precisamos examinar essa mensagem sob a lente da introspecção. Então, se nos parecer verdadeira, devemos internalizá-la e nos apossar dela. Caso contrário, busquemos resposta em outro lugar.

É desnecessário dizer que um professor que aconselhe alguém a prejudicar a si próprio ou aos outros nunca deve ser seguido. É inevitável que pessoas de todos os tipos nos ajudem em nossos estudos. Contudo, se as seguirmos muito proximamente ou indiscriminadamente, é possível que acabem por nos prejudicar. Não pensar por si próprio é uma contradição do ensinamento básico do Buda.

Certa vez, um aluno perguntou ao Mestre Ch´an Chao Chou (778-897) o que deveria fazer para aprender o Dharma. O Mestre respondeu: "Vou urinar agora. Você pode fazer isso por mim? É claro que não! Ninguém pode fazer por mim nem sequer algo tão simples. Se realmente quer aprender o Dharma, faça-o por si mesmo.""

E sigo tentando aprender. "Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz".

O Mi To Fo (que a luz infinita do Buda os ilumine) a todos.

3 comentários:

heitor riman disse...

estou começando meus estudos no budismo humanista e a cada dia estou descobrindo coisas maravilhosas e pessoas, só entrei para descobrir o significado de O MI TO Fo e você me deixou mais entusiasmado ainda muito obrigado pela sua experiência, estou frequentando o templo ZULAY aqui em São Paulo, Mais uma vez agradeço pelo sua ajuda. O MI TO FO
e como está escrito não só estou me informando mas vivenciando coisas maravilhosas e uma nova maneira de viver e encarar o mundo.

Bruno Galindo disse...

Caro Heitor

Tens o belo nome de meu primeiro filho.

Ainda não era budista quando escrevi esse texto. Hoje o sou com convicção, embora considere que cada um de nós tem sua própria trajetória para alcançar a iluminação. Ser ou não budista não fará ninguém alcançar a iluminação. A prática dos sábios ensinamentos, ela sim o pode fazer, qualquer que seja a religião do praticante.

Que o seu caminho seja repleto de um grande aprendizado e prática do dharma. Definitivamente não é uma tarefa fácil, mas o esplendor, a serenidade e a paz de espírito que tal prática nos traz é um importante tônico para enfrentarmos as batalhas diárias da vida. Somente a força espiritual pode nos trazer felicidade.

Continue e se aprofunde. É só o que posso dizer.

O MI TO FO

victor disse...

Olá,o mi to fo!pra todos nós prequento a o templo zu lai aq em São Paulo e gostaria muito de conhecer o de Recife aproveitando gostaria de saber se tem acomodações? agradeço desde já,Océlio Victor