segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Scorpions: eu vou de novo!


Quem disse que um raio não pode cair duas vezes no mesmo lugar?

Pois é, os alemães do Scorpions, uma das maiores bandas de hard rock de todos os tempos, estarão novamente em Recife, no dia 7 de setembro.

Não entendi bem a proposta de um show eletro acoustic, como está anunciado, de modo que vou lá para conferir. Talvez queiram fazer um show mais baladeiro e romântico, pois o do ano passado foi puro hard rock. Não deixaram de tocar as baladas como Still Loving You, Send Me An Angel e Always Somewhere, mas o ponto alto do show foi a parte mais pauleira, com as guitarras pesadas e batidas fortes, além do vocal poderoso de Klaus Meine em canções como Rock You Like a Hurricane, Dynamite, The Zoo e a novíssima e excelente Humanity, do último CD.

Particularmente, prefiro o show mais pesado, hard rock mesmo e não acústico, mas Scorpions é bom de todo jeito. Não sei também se é parte do show elétrico, parte acústico, só indo para conferir.

Para não me repetir excessivamente, transcrevo aqui o que escrevi ano passado sobre a banda e o show. Como alguns que afirmam hoje com orgulho que foram a shows de bandas lendárias como Led Zeppelin e Queen, também poderei um dia dizer ao meu filho que fui, não a um, mas a dois shows dos igualmente lendas vivas Scorpions.

"SCORPIONS EM RECIFE - 25/07/2007

Quando tenho dito que Recife está definitivamente no circuito dos grandes espetáculos internacionais, não exagero. O mais novo espetáculo do gênero a acontecer na capital pernambucana é o show da antológica banda alemã de hard rock Scorpions. Por si só, o próprio nome de uma banda desse nível que está na estrada há 35 anos já diz muito. Mas como sou falastrão, não posso deixar de comentar esse histórico acontecimento que terá por palco o Chevrolet Hall no próximo dia 11 de agosto.

É a terceira vez em mais de 30 anos que os Scorpions vêm ao Brasil e a primeira (talvez última, não se sabe) que vêm a Recife. Estiveram por aqui em 1985 no Rock in Rio I (apenas um único show) e também em 2005, em São Paulo e Porto Alegre. Agora estarão em Manaus, Recife e São Paulo. Imperdível.

Para quem não sabe, apesar de cantarem em inglês, os Scorpions são uma banda natural de Hannover, centro da Alemanha. Apesar de terem explodido mundialmente nos anos 80, os alemães, hoje cinqüentões, estão na estrada pelo menos desde a década anterior, tendo lançado seu primeiro álbum em 1972, intitulado Lonesome Crow (embora desde pelo menos 1965 já fossem amigos e curtissem música juntos). Nos anos 70, destacam-se os álbuns In Trance e Fly to the Rainbow, este último, de 1974, bombástico e arrebatador, para mim, um dos melhores deles, reunindo harmonia e pancadaria sonora como poucos, juntando-se a outras bandas antológicas como Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin.

Na década de 80, os alemães dão uma renovada musical, incorporando novos elementos do rock, bem característicos da rebeldia oitentista mais escrachada, e compondo um maior número de baladas românticas. Foi aí que eles acertaram na mosca e explodiram mundialmente arrastando multidões e lotando estádios nos diversos países nos quais se apresentavam. Dessa época, vieram sucessos como Blackout, Bad Boys Running Wild e Big City Nights, além de Rock You Like a Hurricane (essa tira qualquer um do chão) e a mais famosa e mais tocada deles, Still Loving You (embora pessoalmente eu nem goste tanto dessa). O álbum Love at First Sting (1984) é espetacular.

Na década passada, continuaram lançando excelentes álbuns como Crazy World e fazendo música de qualidade, compondo dentre outras Send me an Angel e a lindíssima Wind of Change, significativa por ser uma espécie de hino lírico da glasnost e da perestroika, com a conseqüente queda do Muro de Berlin e depois da própria União Soviética (aliás, os Scorpions gravaram uma versão dessa música em russo e são muito populares por lá por terem aberto o referido mercado para as bandas ocidentais). A consagração panteônica veio no ano 2000 quando os Scorpions se apresentaram como atração principal na Expo 2000 em Hannover, tocando ao lado da Orquestra Filarmônica de Berlin, uma das melhores do mundo. Esse show virou CD e DVD com o título Moment of Glory e é uma das mais belas páginas musicais do rock'n'roll de todos os tempos.

Nos últimos tempos fizeram o Acoustica, sem guitarras elétricas e bastante intimista, saindo um pouco do estilo habitual (cantam até Dust in the Wind e Drive), o álbum Unbreakable (esse apenas razoável) e agora voltam com o CD Humanity, envenenado e com canções muito boas, com destaque para a faixa título, Hour I, You're Lovin' me to Death, Your Last Song e The Cross.
Atualmente, da formação original, apenas o vocalista Klaus Meine e o guitarrista Rudolf Schenker continuam na banda. Mathias Jabs, o outro guitarrista, não é daquela, mas já está no grupo há mais de 20 anos. O baterista norte-americano James Kottak juntou-se a eles em 1999 e o mais novo escorpião é o baixista Pawel Maciwoda, com os Scorpions há 3 anos.

O tempo passou, mas não enfraqueceu o veneno dos alemães. Musicalmente evoluíram muito, mas ainda possuem uma energia enorme e um som poderoso. Estarei lá com toda certeza."

"SCORPIONS EM RECIFE - THE DAY AFTER

Ontem, tive a grata satisfação de ir ao show dos Scorpions aqui em Recife, como antecipara em uma das postagens anteriores. Como já esperava, o big rock show dos alemães foi magnífico, os caras são cinqüentões (pelo menos o vocalista Klaus Meine e o guitarrista Rudolf Schenker já passaram de meio século, não sei a idade dos demais), mas parecem garotos universitários cheios de energia e destilando veneno na forte pegada de hard rock melódico que caracteriza o grupo. A exemplo dos Rolling Stones, parece que Klaus Meine e cia. não envelhecem... Tanto melhor para nós, seus fãs.

Na entrada, uma multidão. Veio gente do Nordeste inteiro, ônibus de João Pessoa, Natal, Maceió, Campina Grande e até de Fortaleza e Salvador, fora o público local. Mas até que a fila andou rápido. Lá dentro, a pista ficou lotada, não obstante o Chevrolet Hall ser bastante espaçoso. Mas era possível circular sem dificuldades incomensuráveis, o que foi uma boa vantagem para comprar cerveja e água, assim como para ir ao banheiro. Surpreendi-me com a quantidade de jovens entre 20 e 25 anos. Eram até muitos, considerando que não são contemporâneos dos tempos áureos da banda alemã, o que prova que boa música é sempre boa, independente de ser o sucesso do momento ou ter sido composta há anos ou décadas. Entretanto, o público majoritário foi mesmo de trintões, a começar por mim.

O show começou com Hour I, canção bastante eletrizante do novo CD Humanity, levando a massa a tirar o pé do chão. Klaus Meine, como sempre faz, mesmo não falando português, fazia questão de dizer algumas palavras em nosso idioma, "boa noite, Recife", "muito obrigado" e até arriscou uma versão em inglês de "Aquarela do Brasil". Em duas horas de espetáculo, eles fizeram uma alternância entre músicas do novo CD e alguns clássicos como Blackout, Bad Boys Running Wild e Big City Nights. Alguns momentos mais intimistas com Holiday, Send me an Angel e You and I. Solo de bateria de James Kottak, que, very crazy, mas externando bastante simpatia, vestiu camisa do Brasil e balançou a bandeira nacional, a exemplo do próprio Klaus. Alguém na platéia em retribuição levantou uma bandeira da Alemanha, embora James seja norte-americano. Tocaram até I'm Leaving You, uma canção que gosto, mas não é das mais conhecidas. Fizeram a casa ir abaixo com Dynamite, que é mesmo dinamite pura, uma das canções mais pesadas dos Scorpions. Deram aquele famoso tempo e voltaram para o bis tocando nada menos que Still Loving You (sem dúvida o seu maior sucesso), Wind of Change e para fechar com chave de ouro, Rock You Like a Hurricane. Nesta última música, pulei tanto que escorreguei no chão molhado e protagonizei hilária e típica cena de vídeo cassetada que só não irá ao ar por que lamentavelmente não foi filmada (pelo menos que eu saiba, se alguém filmou, por favor me envie para que eu possa dar boas gargalhadas de minha própria trapalhada). Felizmente não me machuquei.

Só achei uma pena eles não tocarem Your Last Song, uma das mais bonitas canções do novo CD e que infelizmente ficou de fora das músicas de trabalho do show. Bom, é impossível agradar totalmente.

Em suma, foi muito legal ver um show de hard rock de altíssimo nível, muito animado, com uma platéia cheia de energia e sem confusão ou brigas. Pelo menos onde fiquei a animação era total, mas não vi ninguém se desentendendo para ir às vias de fato. A paz e o bom rock'n'roll prevaleceram. Que bom que fosse sempre assim.

O único ponto negativo foi a acústica. Principalmente no início era um pouco complicado ouvir a voz de Klaus Meine entre as bases de guitarra, embora depois tenha melhorado um pouco. Um show desse porte precisa de maior profissionalismo na preparação para que possamos sempre receber bandas de tal nível.

Torço muito para que tais espetáculos continuem acontecendo e o Recife se torne definitivamente um pólo de atração de grandes eventos internacionais."

Um comentário:

Anônimo disse...

Bruno,
Pelo que estou sabendo, será um show parecido com o cd "Acustica", que foi gravado em Portugal, que por sinal, é excelente também.
Não foi no ano passado, infelizmente, mas este ano sairei de João Pessoa e estarei lá!