sexta-feira, 18 de julho de 2008

Saudades de Portugal...

Hoje senti um pouco de saudosismo, por que não dizer "saudade", palavra tão tipicamente portuguesa. Saudades do tempo em que morei em Portugal, a fazer parte de meus estudos de doutorado na Universidade de Coimbra e de tudo o que vivi naquele país tão lúdico e tão querido para mim.

Interessante que o que desencadeou isso foi ouvir no rádio uma canção de Chico Buarque e Ruy Guerra chamada "Fado Tropical". Conhecia "Tanto Mar" em suas duas versões, mas o "Fado Tropical" foi para mim uma maravilhosa novidade. É uma canção lançada em 1973, ano em que nasci e um ano antes da Revolução dos Cravos. O tom ainda é de tristeza com a noite sombria do regime salazarista português e com os anos de chumbo da ditadura brasileira, contrastando bastante com o viés alegre e otimista da "Tanto Mar", também de Chico e uma grande saudação aos revolucionários portugueses de abril de 1974.

Engraçado como uma canção que tem a minha idade foi uma completa novidade para mim. E olhe que de um artista de que gosto e conheço alguma coisa.

Aqui um pouco do lirismo luso-brasileiro da canção (http://www.youtube.com/watch?v=LCi-3G-Y3oA):

"Oh, musa do meu fado

Oh, minha mãe gentil

Te deixo consternado

No primeiro abril

Mas não sê tão ingrata

Não esquece quem te amou

E em tua densa mata

Se perdeu e se encontrou

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal

Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

"Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo (além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar...Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."

Com avencas na caatinga

Alecrins no canavial

Licores na moringa

Um vinho tropical

E a linda mulata

Com rendas do alentejo

De quem numa bravata

Arrebata um beijo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal

Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

"Meu coração tem um sereno jeito. E as minhas mãos o golpe duro e presto, de tal maneira que, depois de feito, desencontrado, eu mesmo me contesto. Se trago as mãos distantes do meu peito. É que há distância entre intenção e gesto. E se o meu coração nas mãos estreito, me assombra a súbita impressão de incesto. Quando me encontro no calor da luta, ostento a aguda empunhadora à proa, mas meu peito se desabotoa. E se a sentença se anuncia bruta, mais que depressa a mão cega executa, pois que senão o coração perdoa."

Guitarras e sanfonas

Jasmins, coqueiros, fontes

Sardinhas, mandioca

Num suave azulejo

E o rio Amazonas

Que corre trás-os-montes

E numa pororoca

Deságua no Tejo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal

Ainda vai tornar-se um império colonial

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal

Ainda vai tornar-se um império colonial".

Chico é mesmo genial, inigualável. Só quem conhece Portugal e os portugueses para entender o significado da letra dessa canção em toda sua profundidade.

Que saudades de Portugal...

2 comentários:

Eduardo Rabenhorst disse...

Saudade de Portugal? Que nada, vem para João Pessoa que a gente resolve isso com uma cerveja bem gelada lá na praia do Cabo Branco!
Abraços!

Ricardo disse...

Pernambuco é o verdadeiro Rio Grande do Sul!

O valoroso povo pernambucano é tudo o que os gaúchos gostariam de ser.



Viva a Portugalícia!


Saudações gaúchas.