terça-feira, 8 de julho de 2008

A "imparcialidade" da mídia brasileira

Recordo que, meses atrás, quando Hugo Chávez pleiteava mudança na Constituição venezuelana para que ele possa concorrer a novo mandato e igual projeto de emenda constitucional foi proposto no Congresso Nacional brasileiro em relação ao Presidente Lula, a imprensa brasileira como um todo, Revista Veja à frente, bateu forte nas respectivas empreitadas, defendendo que tal possibilidade significava o surgimento de ditaduras disfarçadas, para dizer o mínimo. Não poucas vezes, Chávez foi chamado de ditador.

Contudo, após a libertação de Ingrid Betancourt que, diga-se, a história contada parece muito estranha (embora eu fique feliz com a libertação dela e de qualquer refém na mesma situação), o Presidente colombiano Álvaro Uribe conclama sua base parlamentar a intensificar a luta pela aprovação de nova alteração na Constituição colombiana para concorrer a um terceiro mandato. E a imprensa brasileira, com pouquíssimas exceções, parece acometida de um "silêncio eloqüente" a respeito do assunto. Ninguém fala nada.

Ora, o que vale para Chávez e Lula, não vale também para Uribe? Quando é um dos "nossos", é democrático, quando adversário, é ditadura?

Incrível a falta de coerência, os "dois pesos, duas medidas".

Como já disse antes aqui no blog, sou contrário a essa possibilidade para qualquer um deles, Chávez, Lula ou Uribe. Embora por si só não signifique a implementação de um regime autocrático, a considerar o passado da nossa pobre e sofrida América Latina, a re-reeleição é um passo largo para tal, pois estabelece a personificação do poder e o continuísmo desenfreado, desnaturando uma das principais características do regime democrático de fato: a alternância dos governantes pelos meios institucionalmente vigentes, sem golpismo ou violência.

Com a popularidade em alta, não duvido que Uribe consiga e, diante do "silêncio eloqüente" da mídia, abra um perigoso precedente no continente latino-americano.

Um comentário:

Ednaldo Émerson disse...

Não pretendo defender os jornalões de sua parcialidade na forma de noticiar o cotidiano.

Mas penso que Álvaro Uribe está nos braços do povo, e vendo sob o ponto de vista do sistema democrático, será dificil o atual presidente colombiano não se reeleger, caso pretenda.

A vontade dele em combater as FARCs deve vim do sentimento de vingança, pois o pai foi morto pelas FARCs. E esta tendo sucesso com a guerra civil colombiana que (pelo que parece) está próxima do fim

Prof. Bruno Galindo, parabéns pelo o blog.
(Chamo de professor apesar de não ter tido o privilégio de ser seu aluno durante a faculdade, mas fui contemporaneo de alunos seus.)

Abraço.