quarta-feira, 9 de abril de 2008

E morreu Charlton Heston

Nesta semana perdemos um dos maiores atores de filmes épicos da história de Hollywood. Charlton Heston morreu aos 84 anos, já bem debilitado, atingido que foi pelo Mal de Alzheimer.

O ator norte-americano se notabilizou em grandiosos filmes épicos, como o excepcional "Ben Hur", filme de 1959, no qual fez o protagonista. Por esse papel ganhou o oscar de melhor ator e o filme foi um dos mais premiados de todos os tempos, com 11 estatuetas, inéditas à época e igualadas muito tempo depois por "Titanic" e "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" (não há como comparar os filmes, a superioridade de "Ben Hur" é inconteste para qualquer apreciador do cinema como verdadeira arte). Embora tenha sido seu papel mais célebre, encarnou outros personagens épicos, como Rodrigo Diaz de Bivar, o "El Cid", de filme de mesmo nome, de 1961, e "Os Dez Mandamentos", no qual interpreta Moisés.

Para além destes, há um filme em que Heston está especialmente brilhante e o filme é sensacional. Trata-se de "The Omega Man", traduzido no Brasil como "A Última Esperança da Terra". O filme é de 1971, mas já visualiza um futuro sombrio com guerras nucleares e aquecimento da Terra e a humanidade é quase toda dizimada, com exceção de uns poucos, dentre os quais o Dr. Robert Neville, cientista que desenvolvera soro imunizador dos efeitos da devastação. É perseguido por mutantes albinos que se tornam fanáticos contra a civilização ocidental, considerada como a responsável pela destruição do mundo. A caça a Neville se justifica por ele ser representante sobrevivente daquela civilização. Vale a pena, embora não seja dos mais conhecidos.

Seu último filme foi "Josef Mengele", de 2003. Considerando todas as suas participações, fez mais de 80 ao todo.

O lamentável no ator foi somente a sua guinada ao conservadorismo estadunidense quando de sua maturidade. Sempre fora um conservador nos costumes, mas apoiara nos anos 60 os movimentos pelos direitos civis e a plataforma política progressista de gente como Martin Luther King, tendo participado da famosa "Marcha pelos Direitos Civis", de 1963, contra a segregação racial. Ainda apoiara os irmãos Kennedy (John e Bob) e fora a favor do controle de armas nos EUA.

A partir da década de 80, tomou posições públicas mais conservadoras, tendo apoiado Reagan e Bush, além de ter sido presidente da National Rifle Association, entidade que luta pela manutenção de um direito quase irrestrito dos cidadãos norte-americanos de portarem armas de fogo.

Contudo, é melhor que fique em nossa memória suas inesquecíveis atuações épicas do que suas posições políticas tardias. Um talento que se vai.

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