sábado, 15 de março de 2008

A Noiva da Revolução


Na última quarta-feira, participei de um debate extremamente interessante na Faculdade de Direito do Recife.

Fui convidado pelo pessoal do Contestação, grupo político estudantil da Faculdade, a fazer algumas ponderações sobre o poder constituinte, debatendo-as com o jornalista Paulo Santos de Oliveira que, na ocasião, estava divulgando seu romance histórico "A Noiva da Revolução", sobre fatos ocorridos durante a Revolução Pernambucana de 1817.

Foi um daqueles frutíferos momentos de interdisciplinariedade em que o direito se encontra com a história e com a política. Comecei por delimitar um entendimento acerca do poder constituinte e suas relações com os movimentos revolucionários em geral, tentando demonstrar o seu modo de atuação nos momentos de ruptura institucional que as revoluções como a norte-americana, a francesa e também a pernambucana propiciaram.

Em seguida, o jornalista Paulo Santos fez uma excelente exposição sobre a Revolução Pernambucana de 1817, momento tão importante e crucial de nossa história, e pouco lembrado até pelos próprios pernambucanos. Contou peculiaridades da vasta pesquisa histórica que realizou para escrever o romance com detalhes raramente lembrados, como a efetiva, embora efêmera, implantação de um República pernambucana, assim como de sua Lei Orgânica, praticamente uma primeira constituição no Brasil. Falou ainda do "esquecimento proposital" da referida República de 74 dias, comparando, por exemplo, com um movimento como a Inconfidência Mineira, política e historicamente de muito menor importância. Enfim, tratou dos detalhes dos personagens históricos do movimento revolucionário, com destaque para o amor "proibido" entre o líder Domingos Martins e a filha de portugueses Maria Teodora da Costa (um "Romeu e Julieta" real e à pernambucana).

O debate terminou com as perguntas dos ouvintes e alunos e as considerações finais.

Achei ótima a idéia de Paulo Santos de romancear a história com substancial fidelidade histórica aos acontecimentos reais. A leitura termina por atingir muito mais curiosos do que uma pesquisa histórica mais científica e objetiva e desperta o interesse das novas e velhas gerações por um acontecimento tão importante da história pernambucana e brasileira.

Comprei o livro e espero voltar a comentar sobre ele em breve, com a leitura já efetuada. Mas já o recomendo.

Nenhum comentário: