sábado, 15 de março de 2008

Munique: finalmente assisti



Finalmente assisti Munique, o filme de Steven Spielberg. Surpreendi-me positivamente. Não que Spielberg seja um mau diretor, mas sua forma de fazer cinema não me agrada muito, é convencional e linear demais.

Pois em Munique o diretor norte-americano surpreende. A linearidade tradicional dá lugar a uma trama complexa que prende a atenção. A teia de relações que envolve o filme, da espionagem convencional aos modos alternativos, do terrorismo rebelde ao terrorismo de Estado, do submundo e das entranhas das organizações secretas, tudo conduz a profundos questionamentos.

Trata-se da história da operação secreta feita por Israel para supostamente vingar a morte dos seus atletas nas Olimpíadas de Munique, em 1972, pela Organização Setembro Negro pró-palestinos. O alvo seria os supostos organizadores do atentado e Avner, o protagonista, aceita a missão conferida pela própria Primeira-Ministra Golda Meir em pessoa. Ele e outros se juntam nessa missão e começam a matança vingativa. Todavia, quando adentra o mundo do serviço secreto, suas ramificações e seus métodos, Avner, que antes via tudo isso como uma questão de defender Israel de seus inimigos, passa a perceber que há muitos outros interesses em jogo e que a questão não é tão simplória como imaginava.

Spielberg foge completamente de seu estilo e, apesar de ser judeu, consegue fazer um filme bem distante do maniqueísmo. Não deixa de mostrar o jogo sujo e perverso da atuação de Israel no combate aos seus inimigos, usando como joguetes os próprios agentes israelenses, mas, por outro lado, não descamba para qualquer defesa dos atos de seqüestro ou de terrorismo de quem quer que seja.

Em tempos de Doutrina Bush (que, espero, comece a arrefecer já no próximo ano com a vitória de Obama ou de Hillary), fazer um filme desses é fornecer luzes reflexivas sobre as trevas da lógica binária da relação amigo-inimigo/bem-mal. Lembrou-me um pouco o velho Kubrick.

O elenco de primeira linha também ajuda muito. Não é todos os dias que se consegue reunir Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds e o ótimo Geoffrey Rush em um mesmo filme.

Quem ainda não assistiu, não deixe de fazê-lo.

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