terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A mais bela declaração de amor



Hoje o blog completa um ano de existência. Neste seu primeiro aniversário, não poderia deixar de agradecer aos queridos freqüentadores e comentaristas que tanto enriquecem-no e interagem comigo, elogiando e criticando, mas sempre dialogando. Esta é a finalidade dele, incentivar a discussão, o debate, sem verdades absolutas pré-concebidas ou preconceitos com o que quer que seja. Um espaço genuinamente democrático de exposição e debate de idéias.

Mas essa relação entre mim e meus leitores não deixa de ser uma relação de amor. E lembrando disso, resolvi brindá-los com uma das mais lindas declarações de amor que já li.

Trata-se de escrito do filósofo austríaco André Gorz, falecido ano passado. Não conheço muito da obra dele, só sei que foi um dos grandes teóricos da esquerda libertária dos anos 60 do século passado e pioneiro do pensamento ecológico a partir da década de 70.

Em 1947, ele conheceu a inglesa Dorine Keir com quem viveu 60 anos, até ano passado quando cometeram suicídio juntos. Dez anos antes, crasso erro médico provocou aracnoidite, rara doença degenerativa, em Dorine, o que a fez debilitar-se enormemente e a seu esposo. Os dois terminaram por decidir tomar injeção letal em setembro último, ela pela degeneração física e mental e ele por afirmar não poder suportar a vida a essa altura sem a sua amada.

O primeiro parágrafo de seu último livro, "Carta a D.", é exatamente a referida declaração. Emocionou-me deveras. Ei-lo:

"Você está para fazer 82 anos. Encolheu 6 centímetros, não pesa mais do que 45 kg e continua bela, graciosa e desejável. Já faz 50 anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher".

Os dois morreram juntos e abraçados, como nos últimos 60 anos. Precisa dizer mais?

2 comentários:

Lis disse...

Hoje entrei pela primeira vez em seu blog e a última postagem me emocionou tanto que não puder deixar de comentar. É incrível (e bom, muito bom) saber real um amor tão intenso.
Abraço,
Lis

Eduardo Rabenhorst disse...

Parabéns pelo blog. Sei muito bem como é difícil manter um espaço como este. Forte abraço e longa vida ao "Intercultural e o direito"!