domingo, 25 de novembro de 2007

O guerreiro nasce


"Neve derretida. Em festa,
O novo respirar da floresta.
No espelho das águas se fez
A imagem do sol outra vez..."
(Lucas E. Schultz: O Caminho do Guerreiro)


"Qual de honesta mulher, para que aos filhos, traga o duro salário, as conchas libram

O peso e as lãs, iguala-se a peleja, até que Jove a Heitor conceda a glória

De entrar primeiro o muro. A voz tonante ei-lo esforça: "Investi, briosos Teucros,

Muro em terra, e na frota a voraz chama."

Na orelha a todos retiniu seu brado: remetem logo, ao parapeito sobem,

Lança nas mãos. Heitor pontuda e grossa pedra arrancou da verga de uma porta,

Que ora nem dois forçudos camponeses poderiam mover, nem carreá-la:

Por Jove aligeirada, ele a maneja, como simples tosão que em sua esquerda

Mal o ovelheiro sente; vai direito ao biforme portão de bastas pranchas,

Que muniam por dentro encruzilhadas barra duas e enorme fechadura;

Por não falhar o tiro, o herói de perto, alarga as pernas e nos pés se estriba;

Rechina o grave seixo; os gonzos parte; batentes e portais horrendo estralam;

Cedem barras, pranchões uns contra os outros se despedaçam. Pula Heitor, medonho

Como escuro bulcão; brande hastas duas, fulgura em bronze, os lumes lhe chamejam;

No ímpeto um deus somente o suspendera.

A transpor a trincheira instiga os Troas:

Quais a ameia superam, quais transcendem as broncas portas.

Em tropel os Gregos às naus se acolhem, em um ruído imenso".

(Homero: Ilíada)


Evocas a tradição, ó rebento,
Tradição dos grandes guerreiros,
Dos navegadores, dos desbravadores,
Dos espíritos grandiosos que admiramos,
Ao desvelarmos suas grandes façanhas,
E deixarmos que nos engrandeçam
E compartilhem conosco um pouco de sua glória.

Evocas a tradição, ó rebento,
Tradição dos virtuosos talentos,
Das artes da paz e da guerra que os exalta,
Da ruidosidade suave e forte,
Da sonoridade poderosa e bela,
Da brasilidade como afirmação,
Da universalidade como dimensão,
E da existência como desventura gloriosa.

Mas nem somente a tradição evocas, ó rebento,
Pois simbolizas o novo e o belo,
Trazendo ao mundo a energia dos visionários,
A serenidade dos sábios,
A honradez dos decentes,
A simplicidade dos iluminados,
E os augúrios de novos momentos
Humanos, demasiado humanos,
Divinos, demasiado divinos,
Felizes, demasiado felizes.

E quando, ó rebento, essa nova era de paz e compaixão,
Vier porventura a deixar de ser apenas quimera,
Para tornar bela e grandiosa nossa curta existência,
Possamos desde já perceber,
Os augúrios desse “novo tempo, apesar dos castigos”,
A enaltecer a digna estima pela solidariedade,
E a aquecer os gélidos espíritos das almas humanas,
Intocadas por essa fagulha incendiária chamada amor.

(Do autor deste blog: ODE AO PEQUENO GUERREIRO)

2 comentários:

Lu disse...

Parabéns!!!

Pelo Blog e pelo "Pequeno Guerreiro"

mvpb disse...

e q vire um grande guerreiro!! =)))