quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A crítica da crítica

MVPB (não consegui identificar quem é), leitor(a) deste blog, fez um comentário muito interessante ao meu post anterior. Apesar de concordar com a maior parte do que eu disse, ele busca uma maior compreensão do porquê o brasileiro agir assim e reflete sobre a necessidade de apontarmos caminhos para sairmos dessa situação, para que a crítica possa também ter um viés propositivo.

Comungo de tuas preocupações, caro leitor, mas infelizmente não tenho uma fórmula precisa para mudarmos esse "jeitinho" em nossa cultura. Busco nas minhas humildes palavras ao menos tentar despertar a reflexão e diagnosticar o quanto nossas atitudes cotidianas refletem e contribuem para a perpetuação dessa cultura.

Mas não sou um pessimista, muito pelo contrário. Se o fosse, nem me daria ao trabalho de pensar sobre isso e divulgar tais pensamentos. Ao ter a honra de sua crítica e reflexão, me sinto bastante recompensado, pois ao menos podemos gradativamente ter maior consciência dos nossos problemas. Embora não seja um escrito propositivo, entendo que essa consciência se faz necessária, pois se não diagnosticamos com precisão o problema, a solução será sempre inadequada.

Em virtude de tais críticas é que esse país, apesar dos pesares, tem melhorado em alguns aspectos. Não ignoro, por exemplo, a sensível melhoria no setor público desde a Constituição de 1988, com mais e melhores servidores, juízes e membros do ministério público empenhados em trabalhar honestamente e com dignidade, buscando atender os anseios dos que os procuram. É verdade também que hoje em dia a impunidade já não é tão grande como antes: há juízes, políticos e empresários criminosos, outrora intocáveis, atrás das grades e com bens bloqueados. Muitos setores da sociedade também se manifestam contrariamente a esse estado de coisas, tomando iniciativas concretas para mudá-lo, como, por exemplo, as associações de defesa de direitos humanos e as ONGs ambientais.

Contudo, não há fórmula mágica e nesse contexto a crítica continua válida, ainda que desprovida de idéias que efetivamente solucionem o problema. Estas certamente virão do debate. Afinal, empreguemos nossa criatividade tupiniquim para construirmos um Brasil melhor para todos (será que fui utópico demais???).

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