sábado, 8 de setembro de 2007

Pavarotti: a popularização do erudito



Sem querer ser um "necrófilo da arte" (como diria Caetano Veloso), faço aqui uma homenagem ao tenor Luciano Pavarotti, recentemente falecido. Não que ele fosse o melhor tenor do mundo. Aliás, os especialistas dizem que ele nem era tão bom. De minha parte, como leigo musical e apenas apreciador, gosto da voz de Pavarotti, mas reconheço que vários tenores o superam em qualidade para meus ouvidos (a começar pelos próprios Placido Domingo e José Carreras).

Mas a minha homenagem a ele não é tanto pelo seu talento, mas pelo carisma e simpatia ímpares e, principalmente, por um detalhe: foi ele o grande popularizador da ópera para as gerações contemporâneas. Pavarotti foi um grande popstar da música erudita, tornando realmente populares clássicos de Puccini, Bellini e Verdi. Era realmente um intérprete, compensando possíveis deficiências em termos qualitativos com interpretações bastante emocionantes, transmitindo muitos sentimentos através delas. Daí ter se tornado não somente alguém que popularizou a ópera clássica, como também um tenor que se entendia bem com as tendências contemporâneas. Quem não se recorda de Pavarotti cantando com as Spice Girls? Memorável é a sua presença na música Miss Sarajevo, do U2. O dueto entre Bono e Pavarotti é simplesmente maravilhoso, toca profundamente a alma. A não parar por aí, o tenor italiano ainda fez o mundo conhecer belíssimas canções populares italianas e napolitanas, lotando estádios pelos quatro cantos do planeta.

Diante disso, se ele era o melhor ou não, pouco importa a essa altura. O grande mérito dele é ter tornado acessível às multidões arte e erudição musical de incontestável qualidade.

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