segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Futebol, arte e paixão: Náutico eterno



Como não sou um "heterossexual gay" como meu amigo Eduardo Rabenhorst (sobre o "conceito" de "heterossexual gay", cf. http://www.modosdedizeromundo.blogspot.com/, postagem do dia 11/09/2007), gosto muito de futebol. Sou torcedor do glorioso Clube Náutico Capibaribe, mas independentemente disso, aprecio um bom jogo de futebol e gosto de ver bons times jogarem. Por mais que alguns se irritem, e, apesar da rivalidade com o Brasil, sempre gostei, por exemplo, de ver a Argentina jogar. Alguns timaços no Brasil foram inesquecíveis: poderia citar times que não vi jogar como o Santos de Pelé, o Palmeiras de Ademir da Guia e o próprio Náutico dos tempos do hexa (Bita e cia.). Prefiro, entretanto, dar testemunho de alguns que pude ver: a inesquecível Seleção Brasileira de 1982 (uma das maiores injustiças da história do futebol ela não ter sido campeã), a Argentina de Maradona, campeã mundial de 1986, o Flamengo de Zico, campeão do Mundo em 1981 e tricampeão brasileiro (1980/1982/1983), o Corínthians de Sócrates e Casagrande, bicampeão paulista 1982/1983 e o São Paulo de Telê Santana e Raí, bi-campeão mundial 1992/1993, são os que mais me chamaram a atenção dos que assisti jogar. Reuniam classe, raça e excepcional qualidade técnica, dando verdadeiros espetáculos em campo, reais artistas da bola.

Contudo, futebol também é paixão. E na paixão, a racionalidade desaparece quase por completo. Qualquer análise proveniente de um torcedor será sempre parcial e não tem como ser diferente aqui. Até o propósito de escrever sobre futebol pela primeira vez nesse blog veio justamente de uma grande vitória do meu Náutico sobre seu maior rival, o Sport, ocorrida ontem no Estádio dos Aflitos, a nossa casa.

Os gols de Júlio César foram lindos. Mas lindo também foi ver a arquibancada majoritariamente vermelha e branca vibrando com cada um deles e comemorando ao final, para tristeza de meus amigos rubronegros. Desculpem-me, meus caros, mas ontem o Náutico sobrou em campo e a vitória foi merecida.

Glória e sofrimento parecem fazer parte do "ofício" de torcedor. Quem não se lembra da fatídica "Batalha dos Aflitos" em que o meu Timbu perdeu um jogo para o Grêmio de forma inacreditável que poderia levá-lo à série A com um ano de antecedência? Por outro lado, depois de um trauma de tal magnitude, quem acreditaria que em menos de um ano o Alvirrubro pernambucano estaria voltando à elite do futebol nacional em uma magnífica campanha na série B?

Alegrias com grandes conquistas e sofrimentos por jejuns de títulos também já ocorreram com os 3 grandes clubes de Pernambuco.

Na década de 60, o Náutico foi quase absoluto, tendo sido vice-campeão brasileiro em 1967, perdendo a final para o Palmeiras de Ademir da Guia, vencendo o Santos de Pelé em São Paulo, e ainda sendo hexacampeão pernambucano (título até hoje não igualado por Santa Cruz e Sport), todas as 6 vezes justamente em cima dos rubronegros. Estes passaram nada menos que 12 anos sem conquistar títulos, de 1963 a 1974.

A década de 70 foi predominantemente tricolor, pois o Santa foi pentacampeão pernambucano e chegou às semifinais do Brasileirão da 1a. divisão em 1974.

Os anos 80 foram mais equilibrados, com leve superioridade rubronegra, principalmente por causa do conturbado e polêmico título brasileiro de 1987 que terminou por ser decidido fora de campo. Em favor do Sport, reconheça-se que ele cumpriu o regulamento, coisa que o Flamengo não fez, embora tivesse um time muito superior ao do Leão da Ilha. Entretanto, há controvérsias sobre o próprio regulamento daquele campeonato, visto que os times que disputaram a denominada Copa União (Flamengo, Internacional, São Paulo, Corínthians, Grêmio etc.) não haviam concordado com o mesmo. Enfim, o Sport terminou sendo campeão brasileiro via jurisprudência da Justiça Comum (Tribunal Regional Federal da 5ª Região).

Polêmicas à parte, a década de 90 foi de uma supremacia rubronegra quase absoluta: o Sport foi pentacampeão estadual e terminou os anos 90 como único representante do Estado na 1a. divisão do Brasileirão. Também conquistou 8 dos 10 títulos pernambucanos da década.

A atual década parece mais equilibrada: depois de 11 anos de jejum (1990-2000), o Náutico voltou a ser campeão em 2001, evitando o hexacampeonato do Sport; ganhou também em 2002 e 2004 e no ano passado voltou à elite do Brasileirão. O Santa foi campeão em 2005, terminando um jejum de 9 anos (1996-2004) e voltou no mesmo ano à Série A, embora tenha sido rebaixado no ano seguinte. O Sport, por sua vez, foi campeão em 2003, 2006 e este ano e voltou à Série A juntamente com o Náutico no ano passado.

Acho muito bom em Pernambuco termos essa rivalidade e um grande orgulho de torcer por nossos times. A rivalidade alimenta o futebol e ganhar dos rivais tem sempre um sabor especial. Os rubronegros dizem que não, mas vão à loucura quando ganham do Náutico, parece que são campeões a cada vitória. Conosco não é diferente, admito. Há sempre um sabor especial em vencê-los. Desde que não partamos para a violência e o desrespeito com o torcedor rival, as brincadeiras e gozações fazem parte e são inevitáveis.

A semana inteira não se falava em outra coisa a não ser no jogo de ontem, justificadamente chamado de "clássico dos clássicos". Felizmente, o meu Náutico venceu e vou passar o resto do ano tirando sarro da cara dos meus amigos rubronegros, já que jogo dos dois agora só no próximo ano. Isso é o mais divertido, embora o futebol seja uma gangorra em que sempre há oportunidade para a desforra. Espero que a do Sport demore a acontecer.

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