terça-feira, 21 de agosto de 2007

Feliz coincidência


Estava ontem na Livraria Cultura à tarde por acaso. Não que seja acaso eu estar na referida livraria (sem qualquer merchandising, é o máximo em conceito de bookstore), realmente uma tentação para qualquer amante das letras, mas ontem estava lá só passando o tempo e milagrosamente ia saindo sem comprar nada.

Na exposição dos mais vendidos, vi o "Romance d'A Pedra do Reino" de Ariano Suassuna e disse para mim mesmo: "preciso comprar este, é o mais importante de Ariano e é uma vergonha eu ainda não ter lido! Ah, mas deixa para outro dia, agora estou mesmo sem muito tempo e dinheiro!". Qual não foi minha surpresa quando eu vi o próprio Ariano entrando na Cultura e então mudei instantaneamente de idéia. Como fã de carteirinha desse grande paraibano-pernambucano, comprei imediatamente e na maior tietagem fui, é claro, pedir-lhe um autógrafo, no que prontamente fui atendido.

Ariano não somente autografou meu exemplar, como ficou alguns minutos conversando comigo. Disse-me que eu era muito corajoso de ler um livro daqueles e com o habitual bom humor que o caracteriza, afirmou que jamais teria paciência para lê-lo e que só o fez por que não tinha outro jeito. Comentou que estava a comprar presente para sua esposa, posto que estavam comemorando 60 anos de namoro e fez rápidas referências à literatura em geral. Disse a ele que Raimundo Carrero havia feito comentário elogioso sobre o livro, citando-o como uma épica obra literária realmente artística, diferenciando-a da literatura comum. Ele, sempre em tom de brincadeira, afirmou que ele e Carrero são compadres e que os amigos sempre se elogiam, o que os tornam suspeitos.

É incrível que o estrelismo nunca tomou conta dele, pelo visto. Ariano é, pessoalmente, exatamente o que é nas entrevistas, aulas e discursos: um sujeito extremamente simpático e bem humorado, atencioso e pronto a jogar conversa fora com qualquer um, mesmo um ilustre desconhecido como eu (jamais o havia encontrado antes, mesmo morando na mesma cidade que ele). Levar um livro autografado (que guardarei como relíquia) e de resto desfrutar de um bom papo com Ariano, ainda que por poucos minutos, foi extraordinário. Uma feliz coincidência dessas que poucas vezes acontecem, de você estar por acaso no lugar certo na hora certa. Adoro quando isso acontece comigo. Viva Ariano imortal.

Obs.: quando terminar de ler, comentarei nesse espaço o livro em questão.

Um comentário:

neide almeida disse...

Pena que adaptação para a telinha tenha ficado numa linguagem, por vezes, incompreensível,em especial para quem nunca leu o livro, apesar da belíssima fotografia da minissérie.