segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Borat: rir ou repudiar? Entre o bizarro e o politicamente incorreto



Apesar de cinéfilo, muitas vezes me atraso em assistir os filmes da atualidade e somente agora assisti Borat. Já havia escutado muitos comentários sobre o filme, alguns elogiosos, afirmando ser ele muito engraçado, outros extremamente depreciativos, caracterizando como algo idiota e politicamente incorreto. Bom, nada como ver com os próprios olhos para formular a própria opinião.

Sinceramente, se a intenção do humorista inglês Sacha Baron Cohen era satirizar a sociedade norte-americana, acho que ele não se deu muito bem, pois os absurdos que ele produz ao longo do filme mostram uma sociedade até certo ponto tolerante, embora nitidamente avessa aos supostos costumes "cazaques". O Cazaquistão é que termina por ser retratado como um país muito reacionário e conservador, para não dizer preconceituoso e racista, o que gerou protestos do governo daquele país que só foram amenizados quando o turismo aumentou por conta do filme e da curiosidade despertada (incrível o poder do cinema).

Por outro lado, a incorreção política de Borat é tamanha que descamba para o extremo ridículo e de certo modo ridiculariza também os preconceituosos. Talvez seja esse o objetivo do humorista, não sei, o filme possui muitas ambigüidades.

Confesso que em alguns momentos tive certo repúdio por cenas mostradas, mas não posso negar que ri bastante em outras. Quase caí da cadeira com a cena dele perseguindo Amazat (o outro "cazaque" que viajara aos EUA) no hotel onde estavam. Detalhe: os dois entram completamente nus no auditório do hotel em questão, onde se realizava uma convenção de corretores de imóveis. Causa da perseguição: Amazat se masturbara com a revista que tinha fotos de Pamela Anderson, paixão de Borat, que, por sua vez, ficara com ciúmes. Dá para acreditar? A cena do culto evangélico também é bastante hilária e me propiciou muitas gargalhadas.

Enfim, filme muito bizarro e nem um pouco correto do ponto de vista político. Não recomendo para os mais sensíveis. Aos que vêem tais bizarrices de forma mais amena e sem purismos ideológicos ou de correção política, podem gostar. Eu, particularmente, gostei, apesar de estar longe de ser uma obra-prima do humor cinematográfico.

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