quarta-feira, 25 de julho de 2007

Scorpions em Recife


Quando tenho dito que Recife está definitivamente no circuito dos grandes espetáculos internacionais, não exagero. O mais novo espetáculo do gênero a acontecer na capital pernambucana é o show da antológica banda alemã de hard rock Scorpions. Por si só, o próprio nome de uma banda desse nível que está na estrada há 35 anos já diz muito. Mas como sou falastrão, não posso deixar de comentar esse histórico acontecimento que terá por palco o Chevrolet Hall no próximo dia 11 de agosto.


É a terceira vez em mais de 30 anos que os Scorpions vêm ao Brasil e a primeira (talvez última, não se sabe) que vêm a Recife. Estiveram por aqui em 1985 no Rock in Rio I (apenas um único show) e também em 2005, em São Paulo e Porto Alegre. Agora estarão em Manaus, Recife e São Paulo. Imperdível.


Para quem não sabe, apesar de cantarem em inglês, os Scorpions são uma banda natural de Hannover, centro da Alemanha. Apesar de terem explodido mundialmente nos anos 80, os alemães, hoje cinqüentões, estão na estrada pelo menos desde a década anterior, tendo lançado seu primeiro álbum em 1972, intitulado Lonesome Crow (embora desde pelo menos 1965 já fossem amigos e curtissem música juntos). Nos anos 70, destacam-se os álbuns In Trance e Fly to the Rainbow, este último, de 1974, bombástico e arrebatador, para mim, um dos melhores deles, reunindo harmonia e pancadaria sonora como poucos, juntando-se a outras bandas antológicas como Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin.

Na década de 80, os alemães dão uma renovada musical, incorporando novos elementos do rock, bem característicos da rebeldia oitentista mais escrachada, e compondo um maior número de baladas românticas. Foi aí que eles acertaram na mosca e explodiram mundialmente arrastando multidões e lotando estádios nos diversos países nos quais se apresentavam. Dessa época, vieram sucessos como Blackout, Bad Boys Running Wild e Big City Nights, além de Rock You Like a Hurricane (essa tira qualquer um do chão) e a mais famosa e mais tocada deles, Still Loving You (embora pessoalmente eu nem goste tanto dessa). O álbum Love at First Sting (1984) é espetacular.

Na década passada, continuaram lançando excelentes álbuns como Crazy World e fazendo música de qualidade, compondo dentre outras Send me an Angel e a lindíssima Wind of Change, significativa por ser uma espécie de hino lírico da glasnost e da perestroika, com a conseqüente queda do Muro de Berlin e depois da própria União Soviética (aliás, os Scorpions gravaram uma versão dessa música em russo e são muito populares por lá por terem aberto o referido mercado para as bandas ocidentais). A consagração panteônica veio no ano 2000 quando os Scorpions se apresentaram como atração principal na Expo 2000 em Hannover, tocando ao lado da Orquestra Filarmônica de Berlin, uma das melhores do mundo. Esse show virou CD e DVD com o título Moment of Glory e é uma das mais belas páginas musicais do rock'n'roll de todos os tempos.

Nos últimos tempos fizeram o Acoustica, sem guitarras elétricas e bastante intimista, saindo um pouco do estilo habitual (cantam até Dust in the Wind e Drive), o álbum Unbreakable (esse apenas razoável) e agora voltam com o CD Humanity, envenenado e com canções muito boas, com destaque para a faixa título, Hour I, You're Lovin' me to Death, Your Last Song e The Cross.

Atualmente, da formação original, apenas o vocalista Klaus Meine e o guitarrista Rudolf Schenker continuam na banda. Mathias Jabs, o outro guitarrista, não é daquela, mas já está no grupo há mais de 20 anos. O baterista norte-americano James Kottak juntou-se a eles em 1999 e o mais novo escorpião é o baixista Pawel Maciwoda, com os Scorpions há 3 anos.

O tempo passou, mas não enfraqueceu o veneno dos alemães. Musicalmente evoluíram muito, mas ainda possuem uma energia enorme e um som poderoso. Estarei lá com toda certeza.

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