terça-feira, 12 de junho de 2007

Neruda e os namorados



Para minha namorada e para todos os namorados do mundo, uma ode ao amor do grande poeta chileno Pablo Neruda (que morreu no ano em que nasci):

"Quantas vezes, amor, te amei sem ver-te e talvez sem lembrança,

Sem reconhecer teu olhar, sem fitar-te, centaura,

Em regiões contrárias, num meio-dia queimante:

Era só o aroma dos cereais que amo.

Talvez te vi, te supus ao passar levantando uma taça,

Em Angola, à luz da lua de junho,

Ou eras tua a cintura daquela guitarra,

Que toquei nas trevas e ressoou com o mar desmedido.

Te amei sem que eu o soubesse, e busquei tua memória.

Nas casas vazias entrei com lanterna a roubar teu retrato.

Mas eu já não sabia como eras. De repente

Enquanto ias comigo te toquei e se deteve minha vida:

Diante de meus olhos estavas, regendo-me, e reinas.

Como fogueira nos bosques, o fogo é teu reino."

Amar sempre vale a pena se a alma não é pequena. Sofrer? Quem não sofre nessa vida? Porém, se não amar, também não vai gozar. Aos descrentes do amor, abaixo a mensagem de Toquinho e Vinícius de Moraes ("Como Dizia o Poeta"):

"Quem já passou por essa vida e não viveu,

Pode ser mais mas sabe menos do que eu.

Porque a vida só se dá pra quem se deu,

Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.

Quem nunca curtiu uma paixão

Nunca vai ter nada, não.

Não há mal pior do que a descrença,

Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.

Pra que somar se a gente pode dividir.

Eu francamente já não quero nem saber

De quem não vai porque tem medo de sofrer.

Ai de quem não rasga o coração,

Esse não vai ter perdão."

Feliz dia dos namorados a todos.

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