quinta-feira, 5 de abril de 2007

Sugestão de boa Páscoa - Ben Hur

Já que é tempo de Páscoa, vai aí uma sugestão de filme. Há muitos filmes bíblicos piegas, cuja única função é pregar doutrinas prontas e acabadas e não suscitar a reflexão. Felizmente há alguns que saem desse lugar-comum. É o caso de "Ben Hur", filme de 1959 e uma das maiores superproduções da história do cinema.

Os números do filme já dizem muito: 11 oscars (marca somente alcançada por outros dois filmes - "Titanic" e "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei", incomparavelmente inferiores), 100.000 figurinos, 300 sets de filmagem. Só a construção do circo romano para a antológica cena da corrida de quadrigas custou, na época, um milhão de dólares. Ben Hur salvou a Metro Goldwyn Mayer da falência que praticamente jogou todas as suas cartadas nele (que aposta bem feita).

Charlton Heston, em uma excelente performance, faz o papel de Judah Ben Hur, rico aristocrata judeu, que é aprisionado juntamente com sua família (mãe e irmã), acusados de terem atentado contra a vida do governador romano da Judéia, tudo isso perpetrado por Messala (interpretado também magistralmente por Stephen Boyd), um antigo amigo romano de Judah que se torna seu algoz. Judah perde toda sua fortuna, é escravizado pelos romanos, se salva de uma sangrenta batalha, se torna próximo do poder por ter salvo a vida de um cônsul, busca a vingança contra Messala, compete na corrida de quadrigas contra o seu algoz e durante algumas passagens do filme, encontra um homem enigmático (que é, na verdade, Jesus, cujo rosto não aparece nenhuma vez durante a película) que parece dar-lhe forças para continuar sempre que está perto do esgotamento físico e mental. São três horas e meia que nem parecem tanto, pois o filme está longe de ser monótono. Acho impressionante como em 1959, sem nenhum recurso da atual tecnologia de computação gráfica e congêneres, os estúdios hollywoodianos conseguiram uma façanha como Ben Hur.

Uma das coisas que me agrada em Ben Hur é que é um filme de fundo religioso sem se tornar uma pregação pura e simples, com os habituais maniqueísmos de "bem e mal". O personagem principal, por exemplo, tem um genuíno desejo de vingança, bem anticristão, sem os heróismos folhetinescos e os altruísmos exacerbados, muito comuns nos filmes bíblicos da época. Por outro lado, o filme traz reflexões sobre o comportamento humano diante das condições que lhe são dadas e de certo modo induz a mensagem cristã como uma solução para muitas dessas agruras.

Enfim, uma excelente pedida para religiosos e não-religiosos. Apesar de quase cinquentenário, continua a ser um filme excepcional.

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