sábado, 17 de março de 2007

Stanley Kubrick I: A Morte Passou por Perto




Inicio hoje comentários acerca dos filmes de meu cineasta favorito: Stanley Kubrick (1928-1999). Nova-iorquino, esse cineasta norte-americano que adorava a Inglaterra (tanto que morou mais de 40 anos neste país) fez história no cinema, apesar de ter sido pouquíssimo premiado (somente dois de seus 13 filmes receberam Oscar, nunca de melhor direção ou melhor filme). Diretor de clássicos como "2001: Uma Odisséia no Espaço" e "Laranja Mecânica", Kubrick sempre se caracterizou pela extrema ousadia e originalidade com que tratou cada tema que filmou. Cada filme que ele dirigiu tem caracteres completamente diversos dos anteriores, o que faz com que todos eles, de certo modo tenham se tornado clássicos.

Começo pelo primeiro longa-metragem aceito por ele (o primeiro, na verdade, é "Fear and Desire", mas o próprio diretor o renegou). "A Morte Passou Por Perto" (título original: Killer's Kiss), lançado em 1956, é um suspense bastante interessante, abordando a estória de um jovem boxeador que se vê envolvido em uma trama de assassinatos e seqüestros a partir da relação amorosa que desenvolve com uma vizinha sua, que era a paixão de um empresário já maduro envolvido com negócios obscuros. É um filme de pouco mais de uma hora de duração, extremamente pobre em recursos financeiros, posto que Kubrick era apenas um iniciante cineasta de 27 anos, mas já mostra na tela a criatividade superando a carência. É quase um road movie na cidade, filmado em becos, ringues e apartamentos, contando com a colaboração e a boa vontade de transeuntes e a benevolência dos atores que só foram remunerados após o sucesso comercial do longa. Mas a trama prende logo a atenção, com as boas interpretações dos abnegados atores, a qualidade da filmagem e da fotografia (em que pese a carência aludida) e a criação de uma atmosfera de suspense, principalmente nas cenas finais (notadamente a do depósito de manequins de loja).

Enfim, penso que apreciar um filme não é apenas se deslumbrar com imagens maravilhosas (embora isso seja muito bom), mas perceber o contexto no qual ele foi rodado e o que ele conseguiu efetivamente transmitir. É por isso que películas como "O Céu de Lisboa" de Win Wenders, e o nosso "Cinemas, Aspirinas e Urubus" são ótimo cinema, apesar de não serem produções ricas. Em "A Morte Passou Perto", antevemos um pouco do magnífico cineasta que se tornaria o jovem Stanley.

Por ora, é só. Em breve comentarei acerca de outras obras-primas do grande Kubrick.

Um comentário:

Fernando disse...

Muito bom comentário. Realmente percebe-se nesse pequeno filme algumas das coisas que fariam Kubrick um dos maiores cineastas de todos os tempos. Um sugestão para próxima crítica é um filme fantástico, mas pouco conhecido do grande público: Barry Lyndon. Grande abraço!