quinta-feira, 29 de março de 2007

Contra a intolerância e os fanatismos de qualquer espécie - parte IV



"2. O ideal socialista alemão

A Alemanha como um todo é o que poderíamos chamar de “país do socialismo teórico”. Dentre outras coisas, é na Alemanha que nasce o mais célebre dos pensadores socialistas, Karl Marx, e é lá que no século XIX o debate sobre o socialismo é mais profundo e acentuado. As próprias atenções do movimento socialista estavam, em boa medida, voltadas para o ambiente político alemão, embora sejam consideráveis as reflexões de Marx, Engels e demais pensadores socialistas acerca da Inglaterra e da França, assim como de outras regiões, incluindo a própria Rússia (considerada por Marx e Engels como demasiadamente atrasada para uma revolução social que teria como pressuposto o alto desenvolvimento das forças produtivas impulsionadas pelo capitalismo).


Entretanto, a profecia marxista de que o socialismo ascenderia em sociedades capitalistas avançadas falhou. O movimento socialista revolucionário foi vitorioso pela primeira vez em um país tido como economicamente atrasado em relação à Europa Central e Ocidental, de base essencialmente camponesa e com um proletariado reduzido: a Rússia. A vitória dos bolcheviques russos, embora contrariasse a profecia de Marx e Engels, mostrara aos alemães e ao mundo que a revolução proletária não seria mera utopia, mas poderia tornar-se realidade. Lenin, Trotsky e seus seguidores propiciavam aos socialistas do mundo inteiro a esperança de que era possível derrubar o capitalismo pela revolução.

Não poderia ser diferente na “pátria do socialismo teórico”. Apesar das críticas feitas por Karl Kautsky e Rosa Luxemburg, dirigidas a diversos aspectos da Revolução Russa, o movimento socialista alemão também acreditava na revolução. Mas esses dois representantes do socialismo tedesco não defendiam a utilização do terror e dos assassinatos para consolidar o poder político do proletariado. Kautsky afirmara expressamente a indissociabilidade entre socialismo e democracia, ao passo que Rosa Luxemburg repudiara com veemência as táticas bolcheviques.

Entretanto, prevaleceu na Alemanha dos anos 20 do século XX a perspectiva social democrata, sendo fundada a República de Weimar, com uma proposta de Estado social dentro do modo capitalista de produção e sendo sufocados os movimentos socialistas mais extremistas, o que fundamenta a crítica dos bolcheviques aos sonhos de Rosa Luxemburg e seguidores como mera utopia, crendo os referidos críticos que a democracia capitalista é inconciliável com qualquer ideário de cunho socialista."

Continua em breve...

Um comentário:

Beto Efrem disse...

Eita! Falando do marxismo... hehehe

abraço, Bruno!

Roberto