segunda-feira, 19 de março de 2007

Contra a intolerância e os fanatismos de qualquer espécie - parte I



Como tudo neste blog é novo, inicio agora uma série de escritos sobre fanatismo e intolerância. Tal questão tem me preocupado, posto que a democracia não é algo estanque e precisa ser construída cotidianamente em atitudes de tolerância e diálogo na sociedade, procurando controlar a arbitrariedade e o autoritarismo, sem prescindirmos da autoridade regular que se faz necessária.

Muitos dos discursos contra o crime engendrados na sociedade neste tempo de explosão de violência tem o caráter de intolerância em relação às conquistas democráticas da sociedade, aceitando que estas sejam relativizadas em nome da segurança. Por outro lado, até mesmo os defensores de direitos humanos e pessoas que se consideram politicamente progressistas são seduzidas por discursos com nuances autoritárias. É irônico que muitos dos criticam George Bush e as atrocidades cometidas pelos norte-americanos no mundo sejam tão tolerantes com o mesmo tipo de ação proveniente de Cuba ou da China. Não que eu seja favorável a Bush e aos seus neocons que para mim representam o que há de pior na política estadunidense. Não tenho nenhuma simpatia por eles, mas por outro lado, não posso aceitar o pensamento binário-sectário de que se somos contra Bush, temos que ser necessariamente a favor dos adversários dos EUA como Hugo Chávez e Fidel Castro. Sou contra a pena de morte, por exemplo, seja ela aplicada nos EUA, na Arábia Saudita ou na China. Sou a favor da liberdade de manifestação do pensamento e de imprensa, seja ela na Venezuela, no Brasil ou em Cuba. Não consigo conceber alianças entre esquerdistas que dizem defender direitos das mulheres e dos homossexuais e fanáticos muçulmanos de extrema direita que oprimem ferozmente esses setores da sociedade em seus países (obs.: aqui não vai nenhum ataque à religião islâmica, que é tolerante e pacífica em suas linhas gerais - tenho amigos muçulmanos, inclusive - mas aos fanáticos intolerantes que se dizem islâmicos e que, embora sejam minoria nessa religião, fazem todo esse barulho). Unir Marx aos Talibãs e a Bin Laden é, a meu ver, algo ideologicamente inconcebível, a não ser por uma razão: o fanatismo cego e maniqueísta que alimenta a intolerância e impede a possibilidade do diálogo, causando tantos males desde que o mundo é mundo.

É lembrando aos leitores acerca do que vem a ser um Estado autoritário que pretendo dividir com vocês essas minhas reflexões. Para isso, a partir desta semana reproduzirei (não literalmente) artigo de minha autoria publicado em 2005 na Revista da Faculdade de Direito de Caruaru acerca da temática e de algumas perspectivas teóricas da mesma. Como o artigo é grande, será dividido em várias partes, para não cansar vocês, prezados leitores, mais do que habitualmente o faço. Até lá.

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